A História Nos Animes: Zero eterno e a segunda guerra – parte 1.

YOOOO MINNA! Bem-vindos a mais um A história nos animes. Mas antes de começar nosso texto, gostaria de pedir desculpas pela demora para continuar essa nova coluna do site, pois a vida andou dando uma apertada no meu tempo (bem-vindo à vida acadêmica baby…). Para compensar vocês, estou preparando um sequência bem especial. Nosso novo tema, a Segunda Guerra Mundial, um dos maiores evento da história recente e algo extremamente marcado na história do Japão, além de muito presente nos animes também. E para entramos nesse mundo vamos usar o mangá “Zero Eterno”, de Naoki Hyakuta e Souichi Sumoto, já que o mangá introduz brevemente alguns eventos da guerra.

Sinopse de Zero Eterno: Na trama, seguimos Kentaro Saeki, um jovem de 26 anos que sente que sua vida está estagnada: há alguns anos reprovando no Exame Nacional de Advocacia, o rapaz sente falta de algo que o faça ter motivação e fazer o “motor” da sua vida funcionar. Até que, um dia, sua irmã o contrata para uma importante pesquisa: descobrir quem foi Kyuzo Miyabe, seu verdadeiro avô, homem que batalhou nos céus da Guerra do Pacífico de 60 anos atrás, pilotando um caça Mitsubishi A6M Zero, e morreu em missão pelo Tokkotai, a esquadra de pilotos suicidas muito atuante durante a Segunda Guerra Mundial. A partir disso, Kentaro vê sua vida finalmente tomar um rumo ao descobrir mais sobre os valores e o modo de pensar de quem sobreviveu a esse passado não tão distante e confrontá-los com o presente que não parece entendê-los. E os leitores têm a oportunidade de revisitar a 2° Guerra mundial sob o ponto de vista japonês, descobrindo detalhes e teorias diferentes do conhecido pela maioria das pessoas.

Zero Eterno

Kyuzo Miyabe, um dos protagonistas.

Então, para começar, vamos entender o que era o Tokkotai, afinal esse é um dos pontos centrais da trama. O Tokkotai era nada mais, nada menos que  o esquadrão especial de aviadores responsável pelos famosos ataques suicidas conhecidos como Kamikazes. Os kamikazes fizeram sua primeira aparição durante as batalha do golfo de Lingayen, na guerra pelo domínio do mar das Filipinas, aparecendo novamente na batalha de Iwo Jima, mas os Kamikazes viriam a aterrorizar os Aliados durante a batalha de Okinawa. Mas, afinal, como surgiram os Kamikazes? Todo o exército japonês tinha uma grande influência ideológica nacionalista que dizia que morrer pelo país e pelo imperador era a mais alta honra que um soldado poderia ter, afinal até o final da guerra o imperador era visto como um Deus encarnado, portanto lutar até a morte sem se render era o dever de todo militar japonês, sempre buscando levar o o máximo de inimigos possível caso sua morte fosse certa. Além disso, ele deveria cometer seppuku como forma de evitar sua captura e manter sua honra.

Na história, temos como um dos protagonistas Kyuzo Miyabe (imagem ao lado), um jovem e talentoso piloto que vai morrer em um desses ataques. Durante todo o mangá, vamos acompanhando a vida de Miyabe do início da guerra até o seu fatídico ataque como membro do Tokkotai, sua vida na guerra, suas pressões ideológicas e principalmente… sua vontade de viver que contrasta totalmente com o objetivo dos ataques Kamikazes.

O primeiro campo de batalha a que somos introduzidos no mangá, vem da participação de Miyabe como piloto na base de Rabaul. (lembrando que a narrativa da vida de Miyabe não segue exatamente em ordem cronológica, então para que possamos compreender melhor a história, irei seguir a ordem quem que as batalhas aparecem no mangá) A base japonesa de Rabaul, na Nova Bretanha, era um dos principais pontos da estratégia japonesa, pois de lá eles planejavam descer conquistando a Nova Guiné e ir em direção a Austrália.

No entanto, Rabaul se mostrou crítica não apenas por isso: devido a sua localização, os aviões japoneses podiam atacar rotas aéreas e marítimas entre Austrália-Ásia-EUA. Outro grande alvo das operações japonesas em Rabaul era a Port Moresby, uma cidade sob controle dos Aliados que servia como base de operações, fazendo com que a região tivesse intensos combates. Segundo tanto o mangá como as bibliografias consultadas,  grande parte da força aérea japonesa se situava em Rabaul, ou pelo menos passou pelo local, demonstrando sua importância para a estratégia de conquista da Austrália e para o domínio aéreo dos mares do Pacífico.

Os pilotos de Rabaul atuaram não apenas na região, como foram a outras frente de batalha. Quando as forças Aliadas atacaram Guadalcanal, os pilotos de Rabaul foram enviados para apoiar a região, pois as defesas aéreas, pistas de decolagem e organização da força aérea situada em Guadalcanal ainda não haviam sido concluídas. Mas Rabaul se encontrava a aproximadamente 3 horas de voo de Guadalcanal… Como é descrito no próprio mangá, o que tornava essa operação difícil era justamente isso: os pilotos precisavam voar por 3 horas, lutar por um curto período e depois retornarem com mais 3 horas de voo, um processo extremamente cansativo, fisicamente e psicologicamente, pois devemos lembrar que naquela época o principal instrumento de navegação dos pilotos eram um mapa e uma bússola.

Essa dificuldade da operação é retratada muito bem no mangá e também no relato do tenente Saburo Sakai (relato encontrado no livro ZERO: asas japonesas na guerra), que era um piloto situado na base de Rabaul e que fez parte da primeira missão que partiu em defesa a Guadalcanal. A exaustão física e mental por se pilotar por tantas horas sem pausa, mais a pressão e tensão do combate que logo entrariam ou que estavam deixando em Guadalcanal, sem contar que a qualquer momento da ido ou da volta eles poderiam encontrar inimigos, tornava a tarefa ainda mais exaustiva psicologicamente, tudo isso enquanto tentavam navegar pelo mapa sem se perder. (aos mais curiosos recomendo bastante a leitura do relato do tenente, pois o mesmo conta de forma bem real, simples e emocionante como ele quase perdeu a vida voltando para Rabaul após o combate)

A batalha por Guadalcanal é uma das mais famosas de toda a guerra no Pacifico, não apenas por sua longa duração (7 meses), mas pela grande escala da batalha que se tornou uma das maiores e mais violentas registradas durante a guerra, tendo envolvimentos de todas as 3 forças militares (exército, marinha e aeronáutica) de ambos os lados, que lutavam ferozmente por qualquer centímetro da pequena ilha.

Devido a longa duração e complexidade dessa batalha deixarei a quesito de vocês, meu querido público, a decisão de se aprofundar mais ou não nessa batalha, então deixe nos comentários aí em baixo se vocês gostariam que eu detalhasse mais a fundo a batalha de Guadalcanal durante a parte dois.

Então eu me despeço de vocês até a parte 2 vir ai, e peço novamente: comentem aí outros temas, mangás, animes e coisas que vocês gostariam de ler.

Bibliografias:

OKUMIYA, Masatrake; HORIKOSHI, Jiro; CAIDIN, Martin. ZERO: asas japonesas na guerra 1941-1945. 2 ed. São Paulo: Flamboyant, 1968. 324 p.

NEWDICK, Thomas. Aviões de guerra: dos primeiros combates ao bombardeiro estrategico da II guerra mundial (1794 – 1945) volume 1. 1 ed. São Paulo: Escala, 2010. 167 p.

ADOMO, Vicente De Paulo T.. Batalhas aereas da segunda guerra mundial. 1 ed. São Paulo: ABRIL, 1975. 64 p.

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Sobre volkk7

volkk7
Nerd veterano com profundos conhecimentos em Star Wars, assíduo leitor de mangas, maratonista de animes, historiador, professor, gamer nas horas vagas e ainda esperando meu parceiro digimon....

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  1. Opa! Pode mandar parte 2 que eu quero ler

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