Árvore de Ohara – Volume II: Fullmetal Alchemist

Olá! Bem-vindos novamente à nossa biblioteca. O volume de hoje é muito, mas MUITO especial. Ele trata justamente do meu anime/mangá favorito nesse mundo, que é, claro, Fullmetal Alchemist. Poucas obras me surpreenderam e me emocionaram tanto quanto essa. E poucas, também, tem tantas referências interessantes e profundas como essa. Para se ter uma idéia, antes de começar a escrever e desenhar FMA, a autora, Hiromu Arakawa, passou dois anos pesquisando. E, com isso, citações militares, religiosas, filosóficas, histórias e geográficas se misturaram para dar origem a um universo novo, surpreendente e cheio de sutilezas.

[CORREÇÃO IMPORTANTE: sobre o fato de ela pesquisar dois anos… bem, eu cometi um erro, apontado pela Raquel, do site Arakawa no Shrine (http://arakawanoshrine.blogspot.com/). De acordo com as próprias palavras dela:

O tempo de “estudo” dela para FMA foi, como ela mesma fala no omake do mangá, de cerca de 1 mês, tempo no qual ela transformou uma história curta (oneshot) em uma série longa. O resto das “pesquisas” de FMA foram feitas posteriormente, ao longo do curso da própria série, conforme a necessidade ia surgindo: por exemplo, ela viu que teria que fazer um flashback sobre Ishval e, aí, foi conversar com veteranos de Guerra, ou, na parte quando começou a surgir questões sobre legislação militar e Corte Marcial, ela comprava livros sobre o assunto e lia, etc. Mas nada disso foi ‘premeditado’ e muito menos com tanta antecedência assim.

O que teve antes, e isso teve mesmo, é que a Arakawa teve contato com livros sobre Alquimia cerca de 2 anos antes de FMA ser feito e que, nesse tempo, ela se interessou pelo assunto e passou a ler sobre isso.

E ela achou tão interessante a filosofia por trás da Alquimia que decidiu fazer um mangá sobre isso. Mas ela não estudou Alquimia com o objetivo de fazer FMA, foi algo que surgiu naturalmente de algo que ela achou legal.

Obrigada pelo toque, de verdade! ^^]

A primeira coisa a citar é o fato de que boa parte dos nomes dos personagens ligados ao exército tem origem em armas e veículos de guerra. Mustang era uma aeronave de longo alcance, destinada à patrulha e perseguição, que foi a primeira nave americana a sobrevoar a Europa depois da queda da França, e que destruiu mais aviões inimigos do que qualquer outro durante a Segunda Guerra Mundial, Fury, por exemplo, se refere a um jato de motor duplo usado entre 1945 e 1949, com a função de carga. Havoc é um helicóptero de batalha, usado nos anos 60. Hawkeye se refere a um avião com funções de alerta, controle, reconhecimento e comunicação, que não carrega armamentos (!). Hayate (sim, ele mesmo, o cachorrinho kawaii da Riza) foi retirado de um avião de guerra japonês (possivelmente o melhor do último ano do teatro do Pacífico), equivalente e, em muitos aspectos, até superior aos aviões mais avançados dos Aliados. Hughes se refere a uma aeronave experimental, cujo desenvolvimento foi cercado em mistério (muito deste se devia à personalidade do dono da companhia que o produzia, o brilhante porém excêntrico magnata Howard Hughes), e cuja produção foi rapidamente descontinuada. Bradley, por exemplo, se refere a um tanque médio alcance, usado atualmente. Além disso, pode se referir também a Omar Bradley, que começou como professor na Academia Militar e Escola de Infantaria dos EUA, mas que, por suas grandes habilidades táticas e sua reputação como um comandante confiável, subiu rapidamente de patente. Suas tropas foram responsáveis por algumas das maiores batalhas da Segunda Guerra Mundial na Europa, como a invasão da Normandia, e foi o quarto oficial a atingir a patente de general de cinco estrelas.

É possível encontrar, também, outras referências menores ao militarismo e à época entre o início do século XX e a Segunda Guerra Mundial. O uniforme do Exército de Amestris foi inspirado no uniforme do exército alemão, por exemplo. Além disso, o nível de desenvolvimento de Amestris parece semelhante ao da Europa no início do século XX, em meio à Revolução Industrial, com seus carros (parecidos com o Ford T), suas máquinas a vapor, eletricidade, gás… Apesar de Arakawa ter dito que não baseou sua obra em nenhuma época, cultura ou país específico na criação de Amestris, ela também disse que se inspirou na Inglaterra.

Xing, por sua vez, foi completamente inspirada na China (cuja cultura é muito admirada pela autora, que adora incluir elementos dela em sua obra). Isso fica visível pelo fato de que as pessoas de lá tem habilidades em artes marciais e com explosivos (a China é o lugar onde a pólvora foi descoberta). Além disso, o nome Xing significa “estrela”, em mandarim, o que pode ser uma referência ao nome de Ling, que significa “amanhecer”. E a própria retanjutsu faz referência aos primeiros estudos alquímicos realizados na China, com propósitos medicinais.

É interessante ver que a mitologia e a história foram usadas também para compor o mapa de Fullmetal Alchemist. O nome Amestris, por exemplo, foi retirado da esposa de Xerxes, rei da Pérsia. De acordo com a lenda, seu marido foi assassinado pelo seu filho primogênito, e ela continuou a viver até uma idade avançada, governando por trás do trono, e ela foi caracterizada como uma mulher cruel e poderosa. Já Xerxes foi um grande imperador da Pérsia, conhecido, entre outros fatos, pela Batalha das Termópilas, em que um pequeno grupo de guerreiros espartanos resistiu a um ataque massivo das tropas persas (como visto, por exemplo, no filme/HQ “300 de Esparta”). Creta era o nome de uma antiga cidade-estado grega, e Drachma era o nome da moeda grega pré-Euro.

Mas, entre todos esses fatos, talvez o mais interessante sejam mesmo as referências ligadas diretamente à alquimia. A mais óbvia de todos é o nome de Van Hohenheim, que era o mesmo nome de um dos maiores alquimistas de todos os tempos, e que ficou conhecido no ocidente como Paracelsus. E um dos pratos mais cheios em matéria de símbolos alquímicos é a tatuagem que Riza tem nas costas. Nela, é possível ver desde símbolos de elementos químicos (que são os mesmos símbolos usados em astrologia para definir signos) até símbolos como o caduceu (um símbolo que representa Mercúrio, tanto o elemento quanto o deus romano – e vale lembrar que a alquimia é conhecida também como Arte de Hermes).

As referências religiosas também são muitas. A começar pelos nomes dos sete Homúnculos, batizados em relação aos Sete Pecados Capitais (e sendo, de certa forma, representações dos mesmos – Lust e Gluttony, por exemplo, não poderiam ser representações mais óbvias da luxúria e da gula). Há também referências à cabala (uma disciplina dentro do judaísmo que busca explicar a relação entre Deus e o mundo mortal). O entalhe no Portal da Verdade de Ed nada mais é do que a representação da Árvore da Vida Sephirótica (na versão de Robert Fludd, um estudioso da obra de Paracelsus – o nome vem de sephirot, que se referem a cada círculo da Árvore, e dizem respeito aos atributos através dos quais Deus se revela e continuamente cria o mundo material e espiritual).

Os círculos de transmutação, por sua vez, podem ter sido inspirados por “círculos mágicos” como os da Chave de Salomão (é possível que fãs de Supernatural se lembrem desse símbolo – trata-se de um grimório, ou livro mágico, da Idade Média); E o símbolo que Ed usa nas costas de sua capa, o Flamel, é baseado num entalhe na tumba do alquimista de mesmo nome, que representa uma serpente crucificada. O símbolo de ouroborus (uma serpente ou dragão mordendo a própria cauda), que está marcado no corpo dos homúnculos, é um símbolo cujo significado é “sem começo, sem fim”, ou seja, eternidade (inclusive, é provável que essa seja a origem do símbolo matemático para infinito). O próprio princípio da Troca Equivalente pode ser comparado com outras frases, como “Um olho por um olho, um dente por um dente” (frase baseada na lei do Tailão, vigente na antiga Mesopotâmia).

Ainda há muito a se falar, mas infelizmente não podemos avançar mais no espaço dessa coluna. Em vez disso, vou deixar alguns links para páginas que abordarão melhor alguns dos assuntos citados aqui, como uma análise completa do significado da tatuagem de Riza, e uma explicação mais detalhada sobre a cabala e o significado da Árvore da Vida.  Aí vão eles:

Uma explicação detalhada sobre a tatuagem, com imagens explicativas e uma análise de cada símbolo. Em português.

Um artigo da Wikipédia, em português, sobre a cabala, com explicações também sobre a Árvore da Vida

Eu posso dizer, com toda a certeza, que pesquisar para escrever esse volume foi incrível, e que só me fez admirar ainda mais a grandiosidade e a genialidade de Arakawa Hiromu e sua obra. Espero que vocês tenham gostado, até a próxima visita à nossa biblioteca, e até mais!

P.S.: agora posso dizer… no começo da semana, entrei em pânico porque não havia conseguido sair do segundo parágrafo (mesmo tendo em torno de 25 páginas salvas de fonte de pesquisa). Nas últimas horas, porém, tudo começou a fluir de uma forma maravilhosa… Pois é, a pressão pode ser um fator positivo para executar um trabalho. xD Enfim, agora posso morrer feliz… <3 /tánemtanto

Enfim, o real motivo desse P.S. é justamente pedir para vocês sugerirem temas. O que vocês querem ver aqui? Não é uma coluna exatamente fácil, e os pedidos podem demorar a ser atendidos, mas podem ter certeza de que eu me esforçarei ao máximo. E, por favor, deixem comentários, sugiram, peçam, critiquem, acrescentem informações. As páginas do site são feitas por nós que escrevemos, sim, mas são aquelas informações e curiosidades inesperadas que o pessoal coloca nos comentários que ajudam a enriquecê-la ainda mais. E críticas construtivas nos ajudam a melhorar, sugestões nos dão novas idéias e elogios… ah, vá, elogios servem pra deixar a gente feliz! É tão legal olhar uma página e poder dizer “AIMEUDEUS, ALGUÉM JÁ COMENTOU!!!!!! *w*” Enfim, podem ter certeza que os comments são presentes, pelo menos para mim. Enfim, chega de falação desnecessária. Obrigada mais uma vez, beijos e até mais! =****

 

 

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