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Árvore de Ohara ESPECIAL: A história por trás das histórias (Parte II)

OOlá! E aqui estamos nós outra vez, para continuar a nossa pequena viagem no tempo através da história da indústria de animes e mangás pelo mundo (você pode conferir a primeira parte aqui). Se bem me lembro, paramos na década de 60, com as primeiras exibições na TV e o surgimento de um dos maiores estúdios de animação do Japão. É claro, a partir daí as mudanças e revoluções começaram a acontecer cada vez mais rápido. Os animes e mangás foram ganhando cada vez mais espaço, não apenas dentro do Japão mas para o mundo como um todo.

Um dos primeiros fatos marcantes foi o fim de uma era: em 1973, o estúdio Mushi Productions, de Osamu Tezuka, declarou falência. Esse estúdio foi responsável por diversas séries de destaque, como Astro Boy (da qual falamos na matéria passada), Kimba the White Lion, Ashita no Joe e… Cleopatra, o primeiro filme animado proibido para menores. Nessa época, Tezuka já havia saído da companhia e criado uma outra, a Tezuka Productions. Com o fim da Mushi e o aumento do foco da Toei na produção de séries para TV, vários jovens animadores foram, jogados para a posição de diretores. novos talentos foram revelados, e isso abriu uma margem enorme para a experimentação de coisas novas. Um exemplo disso é Heidi, de 1974. A princípio os produtores não colocavam muita fé nessa história, por ser um drama simples e realista direcionado a crianças, sem algo “fantástico” para trazer a atenção delas. Mas, no fim, Heidi acabou sendo um sucesso internacional, sendo exibido em diversos países europeus, e no Japão o sucesso foi tanto que permitiu o início de uma série de animes baseados em obras literárias chamada World Masterpiece Theatre, e que durou até meados da década de 90.

Cleopatra

Heidi

Outra das grandes revolução acontecidas na década de 70 foi o advento dos animes de mechas. Alguns trabalhos iniciais foram Mazinger Z (1972-1974), Science Ninja Team Gatchaman (mesmo período), Space Battleship Yamato (1974-1975) e Mobile Suit Gundam (1979-1980). Esses títulos mostraram uma certa progressão no gênero de ficção científica em anime, passando de histórias mais orientadas para enredos fantásticos e super-heróis, para obras espaciais de certa forma mais realistas com enredos cada vez mais complexos e definições menos exatas de certo e errado. Isso é bem presente na própria série Gundam, por exemplo, em que o personagem Char Aznable, de antagonista na série inicial, passa a um tipo de aliado na sequência (Zeta Gundam) e de volta ao posto de vilão no filme Char’s Counterattack.

Space Battleship Yamato

Mobile Suit Gundam

Na década de 80,os animes se consolidaram ainda mais, com o início de alguns dos maiores clássicos de todos. A princípio, o próprio gênero mecha, consagrado na década anterior, sofreu grandes transformações, passando dos robôs gigantes a verdadeiras “óperas espaciais”. É o caso da série Macross, por exemplo, iniciada em 1982. Nessa época, também, podemos dizer que começou a surgir todo uma subcultura otaku, graças ao surgimento de revistas dedicadas a essas séries. Isso levou ao surgimento do grupo de produções amadoras Daicon Films, que viria a dar origem ao estúdio Gainax (responsável por títulos como Neon Genesis Evangelion, Tengen Toppa Gurren Lagan, Karekano, Panty & Stocking with Garterbelt e Furi Kuri).

Super Dimension Fortress Macross

É na década de 80, também, que desponta a mangaká Rumiko Takahashi, com seu mangá Urusei Yatsura (publicado de 1978 a 1987 e adaptado para a TV em 1981). Essa série foi muito popular entre adultos, mais até do que entre as crianças, e ajudou a consolidar esse movimento. Nessa década, assistimos ao surgimento e consolidação de dois gêneros muito populares: os animes de esportes, com Captain Tsubasa (1983), e os shounens de artes marciais com Dragon Ball (1984). Especialmente o último, que abriu portas para todos os grandes shounens da década seguinte e os influenciou muito. Assistimos também ao surgimento do mercado dos OVAs, como forma de trazer os animes para o vídeo doméstico.

Dragon Ball

Em 1984, foi lançado um dos filmes mais influentes da história da animação, Nausicaä of the Valley of the Wind. Esse filme abriu portas para uma série de novos e muito ambiciosos projetos. O diretor responsável por esse filme? Ninguém menos que Hayao Miyazaki, que fundaria em 1985 o Studio Ghibli. Na década de 80 foram lançadas algumas das obras primas desse estúdio, como Laputa: Castle in the Sky (1986), Grave of the Fireflies (1988) e My Neighbour Totoro (1988). Nesse período, vários outros estúdios tentaram inovar e experimentar novas fórmulas, numa espécie de “competição” em que cada lançamento era mais ambicioso do que o anterior.
Infelizmente, porém, a despeito do sucesso que as produções do Studio Ghibli faziam, outros não tiveram a mesma sorte. É o caso, por incrível que pareça, de Akira (1988), que não fez tanto sucesso dentro do Japão. Porém, ele ampliou a fan base internacional dos animes, tornando-se um filme “cult” quando exibido no ocidente, e um símbolo dessa cultura. Isso, somado à morte de Osamu Tezuka em 1989, encerrou a era dos animes de 1980.

Nausicaä of the Valley of the Wind

Akira

E, enfim, chegamos à década de 90, a última a ser abordada nesse especial. Depois do fim da década de 80, a indústria dos animes passou por uma fase de declínio. Até que, em 1995, surge um anime controverso e considerado por alguns como o mais revolucionário de todos os tempos. Estamos falando de Neon Genesis Evangelion (1995), escrito e dirigido por Hideaki Anno (dizem algumas lendas que que eo criou para ser “o anime otaku absoluto”, mas que em algum momento se tornou uma forte crítica àquela mesma cultura). Tantas cenas nesse anime foram tão controversas que acabaram forçando a TV Tokyo a estabelecer uma censura pesada a cenas de sexualidade e violência em animes. O resultado disso pode ser notado em Cowboy Bebop (de 1998), cuja primeira exibição foi muito censurada e apenas metade dos episódios foram exibidos. Eventualmente a censura diminuiu um pouco, mas a influência de Evangelion continuou sendo notada em outras obras, como Serial Experiments Lain (1998). No mesmo ano do lançamento de Evangelion, foi lançado o filme Ghost in the Shell, seguindo também a linha de longa-metragens experimentais. Esse filme teria uma influência muito forte inclusive em filmes ocidentais, como Matrix.

Neon Genesis Evangelion

Ghost in the Shell

E, então, assistimos ao surgimento dos grandes shounens como Yu Yu Hakusho (1990), One Piece (1997) e Naruto (1999), de mahou shoujos como Sailor Moon (1995), e de animes como Pokémon e Digimon. Atrelados a esses lançamentos, surgiu toda uma indústria de colecionáveis, brinquedos, cards, filmes… Com a estréia do bloco Toonami no Cartoon Network, que exibia animações não-americanas, esses lançamentos puderam ser levados ao mundo, disseminando a cultura anime/mangá ainda mais. Esse bloco, que exibiu animes como Sailor Moon, Naruto, Pokémon, Hamtaro, Yu Yu Hakusho e Sakura Card Captors, ficou no ar até 2008 – e deixou saudades.

Com isso, chegamos ao fim desse histórico. Os anos 2000 foram deixados de fora porque… bem, essa ainda é uma história em construção. É interessante perceber como a indústria dos animes e mangás foi se transformando ao longo das décadas, refletindo mudanças não apenas do público ao qual elas eram direcionadas, mas também da sociedade de cada época. E é legal notar como esses animes influenciaram uns aos outros, criando o que temos hoje. Não teríamos One Piece sem Dragon Ball. E provavelmente não teríamos Dragon Ball sem Astro Boy. Ou Astro Boy sem Momotaro. É a esses títulos que devemos nossas obras favoritas. E podemos aprender muito com elas.

Essa série ainda não terminou. Faremos mais alguns volumes dedicados a alguns dos estúdios mencionados ao longo das duas matérias. Ghibli, Gainax, Madhouse, entre outros, merecem um pouco mais de destaque, então falaremos deles com mais detalhes. Espero que vocês tenham gostado dessa pequena viagem no tempo, babies! Beijos a todos e até a próxima! ;D

P.S.: Sim, eu ainda estou viva. Pode não parecer, mas estou. E nem vou tentar prometer prazos nem nada disso. Estou enfrentando alguns problemas, está sendo difícil conseguir inspiração para escrever, mas acreditem, estou me esforçando para isso. Até lá, sempre que possível tentarei trazer coisas novas, informações novas… enfim, eu vou tentar. Então… bye!!! ;D

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  1. Majin_777 Jigoku(Nougami)

    Ja é a 3 vez lendo a sua coluna drih, e vi q nao comentei
    Há algum tempo, quando assisti hi no tori eu percebi que há historias que superiores a muitos animes atuais, ninguem conhece por exemplo express galaxy 999, mazinger z, e a lista vai aumentando. infelizmente esses animes so estao disponiveis em outras linguas, isso dificulta a expansao do conhecimento otaku, mas como nem todo otaku e level 6 para cima, nao tem a chance de saber sobre essas obras. minha meta como reviewer e que as pessoas conheçam animes que nao estão habituadas a saber o que se trata, pois animes otimos estao no passado, presente, e um futuro.

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