Entrevista – Masashi Kishimoto

Ola galera, Sou o Gust, e estou sem uma boa introdução….
Novamente com uma entrevista, dessa vez do homem por traz do ninja laranja (kkkkkk).
Masashi Kishimoto.
OBS: Essa entrevista é bem grande, e deu um belo de um trabalho, então espero que gostem.

Enjoy!

A Weekly SHONEN JUMP Alpha*, entrevistou recentemente (02/2012) Masashi Kishimoto o criador de Naruto e também vencedor do prêmio Hop Step Award** com a obra Karakuri.

 

Para quem não sabe (WHAT??), Naruto e uma série de anime e manga, publicada desde 1999 na Weekly Shonen Jump. O protagonista Naruto é um jovem ninja que sonha se tornar o Hokage de sua vila.

Nesta entrevista:

• Masashi Kishimoto nas horas vagas.

• Sua relação com os filhos.

• O personagem favorito do autor.

 

Entrevista:

 

SJA: Quando foi a primeira vez que você pensou em se tornar um mangaká, e por quê?

Kishimoto: Em algum momento entre a segunda série e a quarta, eu conheci as obras do Sensei Akira Toriyama: O anime de Dr. Slump e o mangá de Dragon Ball. Eu adorei seus personagens, principalmente Arale e Goku. Sua arte era realmente apelativa. Havia algo no seu estilo de desenhar, algo que eu sentia que estava certo, mais do que simples traços realistas. Eu pensei comigo mesmo, quero me tornar alguém como o Sensei Toriyama.

De onde vem a sua inspiração? Você ouve música ou assiste filmes quando está trabalhando?

Eu tenho um DVD Player com uma pequena tela na minha mesa, e as vezes eu assisto alguns filmes ou ouço música. Eu costumava fazer isso com mais frequência, mas não nos dias de hoje. Depois de desenhar mangá por 12 anos, eu aprendi que isso influência na minha arte. Por exemplo, quando ouço uma música triste, meu mangá começa a refletir este sentimento, e quando eu resolvo olhar os desenhos, vejo que ficou fora do que eu pretendia. Então decidi parar com qualquer coisa que possa afetar minha arte.
Mas eu amo filmes e consigo muita inspiração com eles. No meu tempo livre, eu vou ao cinema e tento assistir todos os blockbusters. Eu gosto de assistir grandes trilogias como Star Wars, filmes de terror como Jogos Mortais, romances como (500) Days of Summer, e clássicos como The Sting. Meu filme favorito é Akira, mas eu também gosto muito dos “hollywoodianos”. O filme que mais gostei recentemente foi How To Train Your Dragon, porque o roteiro é otimo. Como um fã dos quadrinhos originais, gostei de Tin Tin, acho que ficou bem fiel à história original, e a animação em CG (Computer Graphics) fez ficar ainda mais real do que um live-action.

A vida de um mangaká é incrivelmente cansativa. Qual seu segredo para manter um nível que qualidade alto, por tantos anos?

O único motivo pelo qual ainda continuo desenhando mangá é porque eu amo. Eu achei que esse trabalho faria muito bem para mim e realmente fez. Se você não nasceu amando o desenho, é impossível para você desenhar um mangá. Você vai querer fugir disso, ou até mesmo ter reações alérgicas e coisas do tipo. Quando era um bebê eu desenhava com minhas próprias fezes nas paredes da minha casa, antes de poder usar uma caneta (risos). Até onde eu me lembre, sempre amei desenhar.

Você desenha e escreve Naruto faz mais de 10 anos. Em comparação com quando você começou, como você acha que cresceu e mudou como artista e pessoa?

Durante minha carreira como mangaká, eu me casei, tive filhos e virei pai. Isso influenciou diretamente a história de Naruto. Através destas experiências, eu realizei coisas que foram importantes para o mundo. Se tornar pai me deu uma perspectiva diferente que eu não tinha quando era solteiro.
O personagem Naruto tem um pouco de mim mesmo e um pouco do meu filho. Foi depois que a minha criança nasceu que resolvi escrever sobre os pais do Naruto e seus sentimentos pelo personagem, que são como eu me sinto em relação aos meus filhos. Mas eu não quero que fique muito maçante, porque um mangá tem que ser divertido. Isso tinha que ser dito do ponto de vista de uma criança. Mesmo se eu morresse algum dia, eu quero deixar um trabalho no mundo, que faria com que meus filhos entendessem o que sempre quis dizer para eles.

 

A história do Naruto não é mais um segredo, nós sabemos que os pais dele o amavam. Como isso continuará mudando a perspectiva do Naruto em relação ao mundo e a seu relacionamento com a raposa de nove caldas?

No começo da série, Naruto não tinha pais e possuía uma raposa de nove caldas dentro dele. Ele era tratado como um problema ou um perdedor. Ele tinha muito ódio e raiva em relação ao mundo porque ele não tinha uma identidade. Eu comecei a fazer os flashbacks sobre os pais do Naruto muito curtos, mas o conhecimento sobre os seus pais se tornou crucial para que ele ficasse consciente de sua identidade.
O amor é uma grande coisa. Desde quando me tornei pai, eu passei a acreditar (com algumas exceções) que todos os pais amam seus filhos. Quando as crianças percebem o amor dos pais, isso as ajuda a se “encontrarem”. Então eu realmente queria dar ao Naruto esta experiência.

Atualmente, existe uma grande guerra no mundo de Naruto, com uma multidão de personagens do passado e do presente. Como você se sente sobre a guerra? E quais os desafios de representar um evento tão épico no mangá?

Há muitos personagens que estão envolvidos na guerra. Eu quero prestar atenção em todos os personagens que estou desenhando, mas eu tenho que omitir algumas coisas. Então é difícil selecionar o que mostrar e o que omitir.
Guerra é um tema difícil de escrever. Eu cresci em Okayama, que é ao lado de Hiroshima. Meus avós passaram pelo terror da guerra, e eu sei pelas histórias que eles me contaram que a guerra foi construída no rancor das pessoas. Mas você não pode simplesmente olhar o para o estado atual e criticar, porque a cada pequeno conflito vai se acumulando, e quando chega ao limite, explode e há guerra. Assim, mesmo no mangá, uma guerra não seria possível a menos que eu cuidadosamente elaborasse um plano de fundo.
Como meu avô me ensinou, eu acredito que a guerra nunca é a resposta certa, mas mesmo assim ela sempre existirá. Me sinto sortudo por ser de uma geração que não cresceu com esse problema. Contudo, tem coisas que apenas minha geração pode contar em uma história, e eu posso contar de acordo com a minha perspectiva. Mesmo o mangá sendo ficção, quero que as pessoas percebam que ainda há esperança.

No momento, qual seu personagem favorito?

Meus favoritos atualmente são o Choji e o Killer Bee.

Então, nós temos que perguntar sobre um dos seus personagens favoritos, Killer Bee. Como é que este personagem se originou?

Meu ex-editor adorava luta livre profissional, e ele queria um personagem que fosse lutador profissional. Todos os movimentos do Killer Bee são relacionados a luta livre, apesar dele ser um ninja. Ele é muito ruim no Rap, mas ele faz do mesmo jeito. Eu queria tornar ele um personagem interessante e também um dos ninjas mais fortes do mundo de Naruto. Tive dificuldade de escrever as falas do Killer Bee, porque ele esta sempre rimando. Mas essa é a personalidade que dei para ele, e mesmo sendo difícil, eu sempre vou completar os desafios para criar um bom personagem.

O que você acha do Sasuke agora que ele passou por uma mudança drástica na série?

Sasuke está sempre na minha mente e o progresso dele e do Naruto são como um par. Então sempre quando escrevo sobre o Naruto, também estou pensando Sasuke. Eles são como lados opostos da mesma moeda, como Yin e Yang.

A Akatsuki é um dos mais pitorescos e intrigantes grupos de vilões do mundo dos mangás. Por que você criou a Akatsuki? Você tem um favorito?

Itachi, o irmão do Sasuke, é o meu favorito. A Akatsuki é o grupo de anti-heróis, que é colocado contra os personagens principais de Naruto. Mas eu não queria cria-los apenas como vilões, porque eu acho que há muitas razões que os fizeram se tornarem os “bandidos”. Eu queria ter explorado os membros da Akatsuki como fiz com os personagens principais.

Qual dos ninjas do exército de “mortos-vivos” do Kabuto é seu favorito?

As pessoas trazidas de volta pelo Edotensei do Kabuto são como zumbis mas sua consciência e suas memórias estão intactas. Isso faz com que os personagens do passado possam conversar com os do presente. Isso é um dos elementos ficcionais da série.
Quando estava criando a história sobre a guerra, eu comecei a pensar comigo mesmo que deveriam haver razões para guerra acontecer, e eu queria que os personagens do passado falassem sobre isso eles mesmos.
Do exército do Kabuto, Deidara é meu favorito. Honestamente, eu pensei que o Edotensei poderia fazer dele o personagem mais mortal, porque ele poderia voltar à vida depois de usar seu poder para explodir a si mesmo. Eu realmente gosto do Deidara.

Quando as pessoas leem o seu mangá, o que você acredita que elas absorvem?

Na vida real, as diferenças de cultura e educação tornam difícil as pessoas se entenderem. Quando você cresce, você começa a ver que às vezes as coisas na vida nem sempre vão bem. Mas eu criei Naruto para dizer aos mais jovens que quando estiverem passando por um momento difícil na vida é possível pode se dar bem. De resto, eu prefiro deixar a audiência decidir o que quer aprender com Naruto.

Mangás digitais, como a Weekly Shonen Jump Alpha, começaram agora a “decolar” na América. O que você acha dos mangás digitais?

Eu acho que está certo, mas eu ainda não entendi completamente. Existe uma grande quantidade de pessoas usando tablets agora, que são um jeito muito mais fácil de acessar e baixar o que você quer. Nos EUA, o sistema de compra e venda de mangas é bastante diferente do Japão. As vezes é difícil para as livrarias manter os mangás nas prateleiras, mas quando ele é digital, é muito mais fácil de encontrar, e eu acho isso muito bom.

Por último, mas não menos importante, o que você gostaria de dizer a os fãs americanos de Naruto?

Naruto está chegando no seu clímax e está começando a “ficar quente”, então acompanhem até o fim. Isso me faria muito feliz.

Nota:

*Weekly Shonen Jump Alpha é uma revista de mangás digital distribuída pela VIZ Media nos EUA.

**Hop Step Award é o prêmio dado pela editora Shueisha ao melhor mangá do ano.

Fonte: Like Naruto – Interview: Masashi Kishimoto

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