LIVE ACTION: É bom adaptar um anime ou mangá?

Olá visitante, eu sou a Aniere e estarei escrevendo sobre os “live action” (ação ao vivo) que são baseados em animes ou mangás. A idéia para escrever sobre isso surgiu da minha observação de que ultimamente tem sido publicado uma quantidade considerável de notícias sobre adaptações de algum título de anime ou mangá para live action.

FIG 01

Só para citar alguns exemplos: temos a notícia do Steve sobre divulgação da primeira foto oficial da sequência de adaptação para filme do anime e mangá “Rurouni Kenshin” (“Samurai X” como foi nomeado no Brasil) ; já o Raito trouxe a notícia de divulgação do segundo teaser da adaptação também para filme do mangá clássico “Tiger’s Mask”; novamente o Steve trouxe mais informações sobre o projeto de adaptação para filme do mangá “Say ‘I love you’”; e também as imagens da adaptação (também para filme) do mangá “Kuroshitsuji” . E estas são só alguns exemplos de notícias publicadas no último mês!

Se você procurar por notícias relacionadas a live action do seu título favorito, pode ter certeza que irá encontrar alguma menção a estudo, projeto, aprovação, divulgação de imagem ou até mesmo teaser e trailer baseado no mesmo. Como exemplo temos os filmes de Beck, Casshern, Paradise Kiss e muitos outros.

Isso se deve ao fato de que hoje em dia a adaptação para outras linguagens de entretenimento seja algo comum, principalmente nas obras nipônicas. Quer exemplo maior do que a transposição quase que imediata de um mangá que faz sucesso para anime? Ou para jogo? Desta forma entendemos que uma adaptação para vídeo que utilize atores reais seja um pequeno passo.

Porém, isso suscita um questionamento básico: É bom adaptar um anime ou mangá para live action?

Primeiro de tudo é preciso entender que existem tipos diferentes de “live action”, pois este termo é utilizado para definir qualquer tipo de produção audiovisual que utilize atores e atrizes de carne e osso (não computadorizados ou por animação 3D). Esta produção pode ser um filme para cinema, um filme para televisão (sim, existe uma grande diferença quando um filme é voltado para distribuição em cinema para aquele exibido somente na TV), uma série de televisão oriental (os chamados “doramas”) e até mesmo uma peça de teatro.

Atente bem para o uso da palavra “adaptação” nas notícias relacionadas aos live action de anime e mangá, pois isso não é à toa. Sabemos que a maioria das obras orientais que somos tão apaixonados possuem certos elementos fantásticos que ficariam muito estranhos ou bizarros quando executados na realidade.

Pense só num filme de Naruto em que o ator falasse quase todas as suas frases gritando, como o personagem faz no mangá e também no anime (quase duas horas de gritos). Seria bastante ridículo, para não dizer prejudicial à saúde auditiva do espectador e da saúde vocal do próprio ator (coitado do rapaz que tivesse que gritar durante meses durante as filmagens).

FIG 02

E isso para citar um exemplo bem simples de expressão da personalidade do personagem que não cairia bem se reproduzido identicamente numa mídia com atores reais. É aí que entra a função de “adaptação”.

É possível contar uma mesma história, suscitando o mesmo sentimento ou apresentando as mesmas ideias do autor original utilizando formas diferentes de expressão de entretenimento (livro, novel, mangá, anime ou live action). E isso é necessário porque a mídia é outra, o prazo para desenvolvimento do roteiro é diferente, bem como os recursos de som e imagem diferenciam grandemente da literatura, para a animação e principalmente para o live action.

O gosto do público destas três mídias (literatura, animação e live action) é diferente, e a produção dos títulos para as mesmas será pautado por isso. Não podemos esquecer que os projetos tem por base vender e fazer lucro, não adianta manter-se fiel a uma ideia artística bela se ela não irá fazer sucesso com um grande público. Entretenimento é uma indústria como qualquer outra e necessita de retorno financeiro, a diferença é que a arte e criatividade fazem parte de suas ferramentas de produção.

FIG 03Mas estou desvirtuando do objetivo, vamos voltar à pergunta anterior “É bom adaptar um anime ou mangá para live action?”. A resposta vai variar de fã para fã, pois as mídias que eles curtem além da original do título (seja anime ou mangá) também variam. Existem otakus que são gamers, então quando falam que vai haver um jogo de seu título favorito eles vão querer experimentar isso. Já aqueles que além de otakus são somente cinéfilos verão uma adaptação para jogo do título que gostam como sendo dispensável, pois esse fã não costuma jogar e dificilmente aproveitará. Claro que existem os otakus que aproveitam todas as mídias, mas é difícil contabilizar quantos são.

Fora essa diferença de opiniões entre os fãs, também tem a determinação de que tipo de título de anime e mangá será transposto para outra mídia, bem como que tipo de mídia é essa. Pois um live action que é um filme para cinema terá limites bem determinados como: custo da produção, tempo para desenvolvimento da história, tecnologias cinematográficas, atores e principalmente o orçamento. E isso será completamente diferente de um live action que é um dorama, onde se tem episódios e uma distribuição totalmente diferente do cinema.

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Até mesmo aqueles animes e mangás que tratam do cotididano comum (sem robôs gigantes, monstros, magias e transformações) são adaptados quando vão para outra mídia, dependendo dos recursos e até mesmo da visão do autor original de contar sua história de outra forma. Cito o exemplo da adaptação de Kuroshitsuji onde toda a ambientação foi modificada em relação a original (leiam a notícia para compreender melhor). Tudo dependerá da linguagem utilizada pelo meio de exposição, pois os recursos dentro de uma obra de mangá (obra literária com desenhos em duas dimensões) são diferentes daqueles de um anime (vídeos de desenhos em duas dimensões com movimentos e som), bem como para live action (vídeo com atores reais interpretando em cenários realísticos com movimentos e som).

É nesse momento que os fãs mais enérgicos se manifestam dizendo que live actions são ruins, pois mutilam a história, ou são mal feitos, ou transformam seus personagens favoritos em idiotas. Porque a decisão de modificar elementos da obra original vai contra aquilo que acreditam que seja a essência da história, e aí as reações são bastante negativas e barulhentas. Só acompanhar todo o “boom de discussões” entre os fãs do Superman sobre o último filme lançado (Homem de Aço). Com mangás e animes é a mesma coisa, só que as discussões talvez não alcancem todos os meios de comunicação que utilizamos.

FIG 05Seria interessante ver qual a opinião dos fãs de “Basilisk: Kouga Ninpouchou” sobre a adaptação que fizeram no filme “Kouga Ninpouchou Basilisk – The Live-Action” (ou somente “Shinobi: a Batalha” como foi denominado na distribuição brasileira), aposto que haverá opiniões muito divergentes e apaixonadas para ambos os lados, positivo ou negativo. Ou mesmo num exemplo mais recente que é o filme de Rurouni Kenshin que será uma trilogia (confira detalhes na notícia publicada pelo Jeferson ”, onde os fãs do material original (mangá) adoram ou odeiam as adaptações, seja o anime ou o live action.

Nas obras de filmes existem muitos sacrifícios em nome do roteiro para cinema que são feitos, então tanto personagens quanto a personalidade e origem de várias coisas são alterados para que isso funcione numa história que será contada em mais ou menos duas horas de duração. Algo que talvez seja um pouco aliviado quando se pensa num dorama, onde haverá vários episódios de uma hora para se contar a história, permitindo o desenvolvimento maior de elementos da trama e personagens, porém com recursos cinematográficos bem menores (efeitos especiais de última geração são caros!).

O live action, assim como o anime e os jogos, é uma mídia com movimento e som que pode agradar ou desagradar os fãs dos títulos, tudo vai depender da forma como será adaptada a história. Então é sempre bom atentar-se para o termo “adaptação”, porque literalidade na transposição pode ser um erro tremendo (um ninja que veste laranja é no mínimo algo cômico numa tela de cinema).

O que todo otaku deseja para seu título favorito é que ele nunca “morra”, ou seja, esquecido. Então ver que ele está sendo expandido para outras mídias é uma forma de sobrevivência do mesmo, garantia de que haverão outras produções relacionadas e artigos para consumo. Nesse ponto o resgate de obras antigas se posiciona muito bem, pois retorna bons títulos à visão do público atual e até expande a comunidade de fãs, aquecendo o meio otaku.

Resta então saber se para você a notícia da adaptação de live action do seu título favorito agradou ou desagradou no sentido de aumentar o alcance da história. Você quer que outras pessoas (otakus ou não) fiquem sabendo do seu anime ou mangá favorito? Que os autores originais voltem a produzir material relacionado ao título que tanto ama? Essas são as primeiras perguntas que devem ser respondidas pelos fãs quando veem notícias sobre adaptação live action.

Depois é preciso ver o live action. Se você for fã de verdade, não deixará de prestigiar a obra em outra mídia, seja em cinema, televisão ou computador. Aí sim virá a resposta para “Foi bom adaptar esse anime ou mangá para live action?”, com motivos plausíveis para ter gostado ou desgostado.

Para falar de adaptações de live actions é preciso mostrar opiniões que não são baseadas só nos “achismos”! É preciso assistir o live action primeiro para criticar depois. Afinal de contas, a mídia do entretenimento pode sempre surpreender os fãs coisas novas. Como disse antes, a arte e criatividade são ferramentas desta indústria e os profissionais estão sempre buscando impressionar seus consumidores (leitores ou telespectadores).

Eu queria com esse artigo abrir um espaço para os otakus poderem compartilhar informações e opiniões sobre as adaptações live actions de suas obras favoritas, afinal de contas existem muitos títulos que já foram adaptados e muita gente nem sabe da sua existência. Porque não se trata apenas do mercado japonês, muitas obras ganharam live action feitos na Tailândia, no Vietnam e em outros países asiáticos. É dever dos fãs compartilhar estas notícias para os demais.

Então o que você tem a dizer sobre live actions baseados em anime e mangá?

Até mais e beijos pra quem lê =***

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Sobre Aniere

Aniere
Alguém com pouco tempo livre e muitas ideias que dificilmente seriam publicadas. Porém de vez em quando algumas delas se salvam e ganham a net.

2 Freaks estão discutindo o assunto. Participe Tambem.

  1. Boa matéria, com essa meteria conseguir intender um outro lado dos live Actions que inda não tinha percebido, mas como fã não consigo gosta dos live actions que eu já vi, eu acredito que todos os otakus querem ver seu personagens preferidos friamente fiéis ao manga ou anime, mas ainda tenho esperança de ver um live action bom ^L^.

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