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Nihon Legends 04 – Binbogami

Oi pessoas *se esconde atras de um escudo de madeira* eu sei que era para ter postado semana passada, mas como eu estou de férias e todo dia é sábado. Então hoje eu vou contar a lenda de um deus (kami), que pelo visto resolveu me assombrar…

Antigamente, no Japão (onde mais seria???), quando uma família era miserável, as pessoas acreditavam que o motivo era que Binbogami (deus da Pobreza) habitava na casa dessa família. Então, realizavam rituais de purificação (orahai) ou exorcismos para expulsar o deus da Pobreza. Existem várias lendas que falam de Binbogami, mas elas não definem como ele é fisícamente, como os demais personagens lendários. Binbogami é retratado muitas vezes como um akuma (demônio) de um só chifre, que vive no sótão da casa, ou como um velhinho anão que vive em armários de pobres.

Há muitos e muitos anos, em algum lugar do Japão, vivia um casal que tinha muitos filhos, todos muito trabalhadores e esforçados, porém pobres. Desiludidos pela situação permanente da família resolveram deixar de se esforçar e trabalhar.

Binbogami

Quando o inverno chegou já não havia nada para comerem e todos estavam com muita fome, quando um dos filhos falou:

– Papai, não tem nada mesmo para comer? Estamos com muita fome.

– Perdão meu filho, mas como eu e sua mãe não trabalhamos esse ano afim de deixar por conta dos kamis não temos nada para comer. Porém esta noite eu e ela conversamos, e se vocês concordarem, iremos tentar a vida em outro lugar.

– Sim, vamos sair daqui, pois se continuarmos iremos morrer de fome – disseram os filhos.
Assim foi decidido que partiriam. Três dias foram necessários para arrumar as bagagens, separarem tudo que iriam levar. Na noite que precedia a partida o patriarca viu um ser estranho, mas enfrentando seu pavor lhe perguntou:

– Quem é você? O que faz aqui?
– Ora, sou o Binbogami, o deus da Pobreza, e moro aqui – respondeu o ser, que era meio homem e meio oni (demônio).
Binbogami?
– Sim. Vivo há muitos anos com vocês, mas vocês nunca me viram.
– E o que está fazendo agora?
– Eu vou embora com vocês, por isso estou confeccionando tabizori (calçado para viagem) de palha de arroz para mim. A viagem pode ser longa.
– Você também vai conosco?
– Sim, vamos continuar vivendo em harmonia numa nova casa. Como sempre foi.
Surpreendido com tudo aquilo, o homem contou detalhadamente tudo a esposa.
Binbogami – Então é por isso que sempre fomos pobres! O deus da Pobreza mora conosco.
– O pior – disse o marido – é que ele quer ir com a gente.
– Se ele for conosco vamos continuar na miséria. Então vamos poupar nossa energia e ficar por aqui..
Ao raiar o dia, o Binbogami já estava esperando a família na entrada, pronto para partir.
– Puxa, estão demorando demais. Então vou matar o tempo fazendo mais calçados, pois os meus podem estragar na viajem.
O dia passava e nada da família começar a viajem, entediado o deus da Pobreza começou a fazer mais e mais calçados, no dia seguinte o mesmo aconteceu e o Binbogami continuou seu serviço. Acabando por gostar do passatempo e vendo que a família iria demorar para ir continuou com seu serviço acabando por fazer muitos sapatos.
Tal era o capricho do deus que os vizinhos ao verem os calçados prontos elogiavam, eram muito bem feitos e perfeitos para se andar na neve. Ao ouvir os elogios, o deus da Pobreza ficou entusiasmado e passou a produzir mais ainda.
O dono da casa, ouvindo os elogios resolveu vede-los. Então colocando-os em uma bagagem levou até o centro do vilarejo e os trocou por mantimentos e dinheiro. Porém, lembrou-se que, se o deus da Pobreza continuasse morando com eles, de nada ia adiantar ganhar algum dinheiro, que logo ficaria pobre de novo. Então, resolveu se livrar de vez de Binbogami.

– Com a venda das sandálias, recebi muito dinheiro. Por isso, vamos fazer bastante comida – disse o homem ao deus da Pobreza.
O jantar foi cheio de iguarias e saquê (vinho de arroz). O homem convidou Binbogami para comemorar com eles, porém se sentindo desconfortavel com toda aquela fartura falou:
– Agora que vocês têm muito dinheiro, eu não posso continuar vivendo nesta casa. Só vou aceitar um pouco de saquê e esta noite mesmo vou embora.
Assim, pouco depois, ele calçou um de seus calçados de palha e partiu. A familia, feliz, comemorou o resto da noite. Finalmente parariam de passar fome.
Antes de dormir, o pai resolveu tomar um banho de ofurô (banho quente de imersão) para amenizar o efeito do saquê. Porém, no corredor, deu de cara com Binbogami.
– Você ainda está aqui?
– Eu fui para outra casa, mas senti saudades da nossa harmonia, por isso resolvi voltar.
O casal se entreolhou e pensou: “O que vamos fazer? Será que nossa sina é morar sempre com o deus da Pobreza? Pensando bem, já estamos acostumados com a presença dele aqui”.

Binbogami

Assim, Binbogami passava o dia inteiro fazendo sandálias e tomando goles de saquê. Como a produção era grande, concluíram que logo ia faltar palha de arroz para fazer sandálias e dar continuidade ao trabalho. Então, o casal resolveu semear arroz, para poder aproveitar a palha.
Passados alguns meses, não só o arrozal produziu belas palhas, como enormes cachos de arroz.

– Pelo menos sabemos que, agora, não vai mais faltar arroz para comer – disse o dono da casa para a esposa.
– Acho que, sobre o efeito alcoólico do saquê, o poder empobrecedor de Binbogami foi amenizado.
Contam que eles nunca chegaram a se tornar ricos com a venda das sandálias ou do arroz, mas pelo menos não faltou mais dinheiro e viveram felizes para sempre.

Ou seja, se você está pobre, de uma olhadinha no sotão, no porão ou nos armários, talvez encontre alguns sapatinhos pela casa….

Cuidado com o Binbogami!!

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