O lado random da vida – I – Cute-cute-kawaii-desu!!

Enquanto isso, na central de redação do Anime Freak Show…

BOSS: Drih, a sua coluna até que está fazendo sucesso. Estamos até pensando em dar uma sala nova para você! Sabe, para suas pesquisas e tudo o mais…

DRIH: Sério? *-* [“weeee, para quem era apenas a random de passagem, agora ter até uma sala própria no QG… que lindo… :’D”]

BOSS: Sério. Acompanhe-me. ^^

*Andando por alguns corredores dos quais ela realmente não se lembrava. 15 minutos depois…*

DRIH: Ainda tá longe? oO

BOSS: Quase lá, quase lá…

*Meia hora depois…*

DRIH: Ainda vai demorar muito? >3<

BOSS: Aqui, chegamos!

*Em frente a uma porta onde estava escrito “Almoxarifado – NÃO ENTRE – Perigo de desmoronamento”*

DRIH: Essa é a minha sala? D8

BOSS: É, sim! ^^ Gostou? Eu sei que você gostou! n_n

DRIH: Erm… claaaaaro que gostei… =3=

Bem… já que ganhei uma sala nova (sala nova.. os responsáveis por isso me pagam! ><), nada mais justo do que inaugurá-la também com uma coluna nova, certo? O tema de hoje é algo que afeta muito a vida de grande parte dos otakus, e que é muito forte na cultura japonesa atual, também. Mas, antes de começar, uma pergunta:

Qual é a primeira coisa que vocês diriam ao olhar para… isso?

Se a resposta for “que bonitinho” ou “kawaii!!!” ou “quero levar pra casa” ou qualquer variação que não tenha conotações lolicon, obviamente, afinal vocês não querem arrumar problemas pra mim ><, então vocês entendem o impacto que coisas fofinhas têm sobre as pessoas. E, para os japoneses, esse impacto é ainda maior, e surgiu, por incrível que pareça, como uma forma de contestação dos jovens à cultura tradicional.

Como tudo começou

O termo “kawaii” se popularizou e assumiu o significado que conhecemos hoje a partir da década de 70, quando adolescentes japonesas começaram a adotar um estilo de escrita mais informal e “bonitinho”, com traços finos e delicados, escritos da esquerda para a direita (o oposto do tradicional), e com decorações como carinhas felizes, corações, estrelinhas (*nisso, todas as garotas lendo se lembram da época em que desenhavam coraçõezinhos e florzinhas no caderno e pontuavam os Is com estrelinhas – EM ALGUM LUGAR TODAS VOCÊS FIZERAM ISSO QUE EU SEI! ùú*) Muitas gírias  também foram criadas nessa época, pela pronúncia infantilizada de palavras comuns. Isso, porém, não foi bem-recebido pela maior parte dos adultos (chegando até a ser banido de algumas escolas), por ser considerada uma rebelião contra a cultura tradicional japonesa.

Ao longo dos anos 80, essa cultura ganhou popularidade, e passou a ser realmente vista como uma rebelião, desta vez pelos próprios jovens. Eles sentiam que a vida adulta era restrita e rígida demais, e que tirava a sua liberdade, e reagiam a essa forma de vida com esse comportamento fofinho e com sua saudação à imaturidade e à diversão. Foi a partir daí que empresas como a Sanrio (os criadores da gata demoníaca que não tem boca e que é bizarra pra caramba Hello Kitty) decidiram investir nesse grupo e criar produtos voltados a eles. Foi também o início do surgimento de ídolos como Seiko Matsuda, que criou a imagem da “burriko” (ou seja, uma mulher que age como uma criança). E foi a partir dela, também, que a cultura kawaii passou a ser muito direcionada ao público feminino, por esta representar independência e não-conformidade com os padrões.

Independência feminina: revolução vestida de cor-de-rosa

A partir de Seiko Matsuda, muitas mulheres jovens passaram a aderir ao estilo criado por ela. Não apenas pelas roupas, trejeitos e modos de falar em si, mas, de certa forma, como uma maneira de demonstrar poder e independência. Muitas não eram casadas, e usavam esse estilo como forma de expressar que estavam livres da vida conjugal (que representava uma vida tediosa e muito opressiva para as mulheres japonesas). Além disso, muitas delas eram independentes financeiramente, e consumiam muitos produtos da moda kawaii (roupas, acessórios, artigos de escritório, doces…). Com isso, tornaram-se representantes desse novo tipo de cultura, e foram vistas como rebeldes contra a cultura tradicional. Tanto é que muitos críticos do estilo kawaii acusavam seus seguidores de serem egoístas, imaturos, e de não ter o melhoramento da sociedade como sua meta principal Essa última, pelo menos para mim, parece uma grande justificativa para essa “fuga” de volta à infância através do kawaii: a vida adulta, e essa idéia de “melhoramento da sociedade”, coloca pressão demais sobre as pessoas.

Complexo de Peter Pan?

Falamos bastante sobre como as mulheres se envolveram com o estilo kawaii desde o início, mas é importante dizer também que a partir dessa época, também os homens começaram a se envolver com essa tendência. É até um pouco de complexo de Peter Pan, em que eles também queriam uma maneira de, ao menos numa certa forma, não crescer ou voltar à juventude.

E, atualmente, o kawaii é parte integral da cultura japonesa. É o que vemos em roupas, acessórios, prédios e aviões (é sério oO – recentemente a All Nippin Airways decorou três dos seus boeing 747 com personagens de Pokémon por dentro e por fora). É o que vemos em animes e mangás, é o que dá charme a personagens moes, é aquele bottom da Konata ou de alguma personagem aleatória de K-On que está na sua mochila nesse exato momento, é aquele bonequinho da Hello Kitty ou da Pucca que enfeita a sua mesa. É algo que atravessou fronteiras, e que pouco a pouco também conquista o ocidente. Isso é porque não queremos crescer? Bem, eu acho que sim, de certa forma. Porque, para mim, se crescer for não querer se cercar de coisas bonitas e acolhedoras, então é, eu não quero crescer mesmo. No fim, acho que  o kawaii é uma forma de não nos esquecermos de apreciar coisas singelas.

Bem, acho que é isso. A idéia dessa coluna, daqui para frente, será essa mesmo, falar de algum assunto aleatório que tenha a ver com o universo otaku. E, mais do que isso, é um espaço para conversarmos um pouco, que tal? ^^ Tem algo a dizer? Alguma opinião? Algo que você gostaria de ver aqui em outras ocasiões? Oras, a página de comentários está aí para isso! ;D Acham que eles deveriam parar com a palhaçada e me dar uma sala de verdade? É, eu também acho. ù3ú

Enfim, babies… muito obrigada pela atenção, beijos a todos e até mais! ;D

P.S.: eu devia ter dito isso antes… –‘ Enfim, assim como a Árvore de Ohara, O Lado Random da Vida será publicado às sextas, a cada duas semanas (as colunas vão se alternar). Tentarei ser bem precisa quanto a esses prazos, OK? Até mais! ^^

P.S.2.: E é, a última imagem é só porque eu sou uma fangirl sem conserto mesmo. xD

“KAWAII ARU ~ >u<” (China [Hetalia], sobre tudo o que foi dito durante a matéria)

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11 Freaks estão discutindo o assunto. Participe Tambem.

  1. Nao conseguira viver sem coisas kawaii`s ><
    Adorei a coluna.. *-*
    Queremos mais o/
    bjs

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