O lado random da vida – II – Ficwriters, fanartists, Roleplayers: fãs que criam

Central de redação do Anime Freak Show, almoxarifado desmoronando / sala do Kiba / sala da Drih.

*Drih no MSN aproveitando a conexão de internet desviada da sala de edição de áudio ao invés de estudar, preparar colunas ou simplesmente fazer algo útil da vida. Abre uma janela de um chat qualquer*

ALGUÉM NO CHAT: Oie, alguém online?

DRIH: Eueueueueueueu! *insira emoticon da Osaka de Azumanga Daioh dançando e sacudindo os braços* [o pior de tudo é que eu realmente tenho um emoticon desse no MSN, e ele costuma ser minha forma de cumprimentar as pessoas xD]

ALGUÉM: Ohayou, Yao-san! ^^ [off: RPar agora?]

DRIH: [off: ih, nem dá… tô trabalhando agora e daqui a pouco vem o boss aqui… ><]

ALGUÉM: [off: Ahn! >_< Mas e aí, deu pra terminar aquele capítulo que vc tava falando ontem?]

DRIH: [off: eu te falei, tô com bloqueio e não consigo escrever… Ç_Ç]

ALGUÉM: [off: isso é frescura u_u]

DRIH: [off: nem é. Ù_Ú]

BOSS (entrando na sala sem cerimônia e abrindo a porta com tanta força que parte do reboco em volta dela cai): Drih, sabe se aconteceu alguma  coisa com o equipamento da sala de edição de áudio? A gente tá tentando entrar na internet por lá há um tempão  e nada…

DRIH: Erm, eu? (*fecha tudo correndo*) Ah, não sei de nada não. Pergunta pro Kiba, ele deve saber. ‘3’

Muito provavelmente, boa parte de vocês não entendeu alguma coisa daí. Coisas do tipo, “por que ficar escrevendo em colchetes e começar toda frase com ‘off’?”, ou “que história é essa de capítulo?”, ou “o que raios deve ser RPar?” ou “explica como faz pra desviar conexões de internet alheias pra eu roubar a net do meu vizinho 8D”. E é exatamente delas que vamos falar hoje. Muitas pessoas, quando se tornam fãs de algo, já ficam felizes em apenas apreciar o trabalho do autor. Alguns, porém, vão além disso. Não basta apenas gostar de um universo. O que vale é entrar nesse universo, criar a partir dele, ser uma parte dele. Escrever, desenhar, interpretar, criar em todas as formas possíveis. Enfim, a coluna de hoje vai falar sobre o trabalho fanmade como um todo, um pouco da sua origem e sua influência.

(Cadernos… os melhores amigos de qualquer escritor n_n Lição aprendida com o grande mestre Seiji, haha xD)

FICWRITING: COLOCANDO EM PALAVRAS O QUE O AUTOR NÃO DISSE

Provavelmente, uma das formas de trabalho fanmade mais conhecidas é a fanfiction. Como o próprio nome diz, são histórias criadas por fãs dentro de um universo pré-existente. Não é preciso ir muito longe para achar toneladas de histórias assim, em todos os estilos possíveis.

A verdade é que parodiar ou criar novas versões ou histórias alternativas dentro de universos pré-existentes não é uma coisa nova. Versões de poemas hindus, lendas árabes e contos de cavalaria europeus são alguns exemplos. Também houveram versões, paródias e continuações de obras como Alice no País das Maravilhas, além de histórias de Sherlock Holmes escritas por fãs e publicadas em fanzines. A modernização e a criação do conceito de fanfic como conhecemos hoje, porém, surgiu entre o fandom de Star Trek (LIVE LONG AND PROSPER! \\//_), que publicava várias dessas histórias em fanzines vendidas pelo correio ou em convenções, na década de 60.

Spockanalia, a primeira revista que trouxe o conceito moderno de fanfic.

O surgimento da internet popularizou e disseminou o gênero ainda mais, e foram surgindo listas de email e fóruns dedicados unicamente à produção e discussão de fanfics. E, em 1998, surgiu o que talvez até hoje seja o templo máximo para os fãs do gênero: o site Fanfiction.net, que permitia a publicação de histórias de qualquer fandom no seu site, de forma fácil e gratuita.  O surgimento do LiveJournal, em 1999, e de vários serviços de blog, também ajudou a popularizar ainda mais o gênero. Hoje em dia, redes sociais como o orkut e o Tumblr também acabam tendo essa função.

DOUJINSHIS:  QUANDO AS FANFICTIONS ENCONTRAM AS FANARTS

Doujinshi é o termo japonês usado para trabalhos publicados de forma independente (geralmente mangás, revistas ou novels). Geralmente, são trabalhos não-profissionais, mas alguns profissionais costumam publicá-las, também. Os grupos de artistas que publicam dounjinshis costumam se intitular círculos. Vários são trabalhos originais, mas há muitos também que são baseados em outras histórias, como animes e games. O início dessas publicações é muito antigo, e remonta a 1885,  com a revista Garakuta Bunko. No início do período Showa (que vai de 1923 a 1989), o gênero chegou ao seu ápice, com diversas revistas e jovens escritores. A partir da década de 80, a publicação de trabalhos baseados em outras obras começou a ultrapassar a publicação de trabalhos originais. Nessa época, foi fundada em Tóquio a Comiket, uma grande convenção dedicada a quadrinhos e mangás.

Muita gente vai invariavelmente associar doujinshi com hentai. A associação é compreensível, pois de fato muitas delas são lançadas dentro desse gênero (por não ter restrições tão pesadas quanto mangás convencionais, e por ter um público muito grande). Não quer dizer, porém, que todos sejam hentai. É possível encontrar trabalhos belíssimos em quase qualquer estilo (um exemplo é uma das minhas doujins favoritas, Träumerei. É um pouco antiga, e trata-se de um final alternativo para Fullmetal Alchemist em que Al se sacrifica para trazer Ed de volta. A forma como a história é contada, os símbolos – aviões de papel – e a delicadeza dos traços são espetaculares).

Uma coisa muito legal é que vários mangakás começaram como desenhistas de doujinshi. Um exemplo? CLAMP. É, a CLAMP começou como um círculo de doujin conhecido como “Clamp Cluster”. Rumiko Takahashi (Inuyasha, Ranma 1/2), Masaki Kajishima (Tenchi Muyo!), Kyohiko Azuma (Azumanga Daioh) e o grupo 07th Dimension (Higurashi no Naku Koro ni e Umineko no Naku Koro ni) também começaram assim.

Imagem de Träumerei, doujinshi com um final alternativo de Fullmetal Alchemist

FANARTS: IMAGENS QUE VALEM MAIS DE OITO MIL PALAVRAS

Fanarts, como o próprio nome diz, são trabalhos de arte (quadrinhos, desenho, pinturas, CG) baseados em trabalhos já existentes e criados por outras pessoas.. O termo “fanart” se aplica a trabalho não-profissional, e pode se estender também a vídeos ou games feitos por fãs.

O interessante nas fanarts é que você pode encontrar múltiplas formas de representação. Traços mais realistas para animes convencionais, traços em anime para cartoon, traços bishounen para personagens não-tão-bishounen-assim… Existem diversos sites onde é possível encontrar muitos desses tabalhos, como o DeviantArt, Zerochan, Pixiv, fóruns do 4chan etc. E, assim como as fanfics, eles vêm em todos os estilos e gêneros possíveis.

http://2.bp.blogspot.com/-KqgeyHkZKDk/TdXwHWltRoI/AAAAAAAAAOQ/SuDsIYNpEwU/s1600/Sailor-Moon-and-Tuxedo-Mask%2528after-the-battle%2529-fan-art-by-Tanya-Wheeler-www.cellesriaart.com.jpg

Sailor Moon em traço realista… e Tuxedo Mask meu herói e príncipe encantado da infância *w*

ROLE-PLAYING: GOSTA DE UM PERSONAGEM? TRANSFORME-SE NELE, ORAS!

O role-playing game é, como o próprio nome diz, um jogo de interpretação. Nele, o que vale é escolher ou criar um personagem e agir como ele. Todos devem conhecer os jogos convencionais, com um livro, um mestre, muitos dados e pontos e batalhas e por aí vai, ou RPGs eletrônicos. Mas o role-playing do qual falamos aqui é ligeiramente diferente. Pode-se dizer que, de certa forma, ele também é uma fanfic, só que escrita por várias pessoas e em tempo real.

Nesse caso, não se trata de seguir uma história determinada ou de vencer um jogo, o que conta é a interpretação em si. E, claro, isso exige pesquisa, exige conhecer o personagem e a forma dele reagir, etc. Geralmente, o meio usado para esse tipo de jogo são redes sociais (Tumblr, orkut, Facebook), blogs ou messengers. A diversão está em interagir com os outros personagens, incorporar o seu próprio, e a partir daí criar novas histórias…

…é, mais ou menos isso. xD

OUTROS FANMADES

Além dos que foram citados antes, trabalhos fanmade podem vir em diversas outras mídias. Jogos (feitos em RPG Maker e MUGEN), AMVs (anime music videos – montagens com cenas de anime baseadas em uma música), MADs (um termo originado no site Nico Nico Douga, usado para descrever vídeos baseados em animes; alguns são como AMVs convencionais, outros são sequências de imagens estáticas, animações, paródias de aberturas de animes conhecidos etc), fandubs (dublagens de cenas ou músicas, ou até mesmo versões em outros idiomas dessas músicas – um exemplo são os Nico Nico Chorus, em que grupos de cantores reinterpretam canções, em especial de Vocaloid), aplicativos como o Shimeji (mascotes de desktop que fazem várias coisas em sua tela, como andar, escalar, dormir, comer… além de se multiplicarem e de chutarem suas janelas para longe, se você se descuidar deles xD) e por aí vai.

Muita gente pode ver esse tipo de trabalho como desrespeitoso, principalmente as fanfics. Sou ficwriter há alguns anos, e já ouvi várias pessoas dizendo que odeiam fics porque acham que elas estragam a história original. Tá, eu admito que dá pra achar muuuuuuita porcaria por aí (quem conhece Harry Potter já deve ter ouvido falar de Ledo Engano e My Immortal, duas das maiores pérolas da história das fanfics – e acreditem, ambas merecem o título TOTALMENTE >_<), mas também dá para achar trabalhos belíssimos. E, pessoalmente, eu acho que é uma forma de criação muito válida. O que ficwriters fazem é explorar um universo já conhecido, de uma forma nova. Universo alternativo, focar personagens geralmente não tão explorados, dar continuidade às histórias… Da mesma forma, roleplayers interagem com o universo ao qual se referem de uma forma diferente, se tornando parte dele, fanartists e desenhistas recriam esse universo usando sua própria visão e talento… Ou seja, são formas interessantes de abordar um fandom. E fãs sérios não querem destruir ou manchar a imagem daquilo que gostam, apenas engrandecer e homenagear.

Bem, pra finalizar e fazer um pouco de propaganda, afinal ninguém é de ferro, vou deixar os links pras minhas páginas do Fanfiction.net e do Nyah. E, se algum de vocês também escrever, ou desenhar, ou RPar, ou fazer qualquer coisa assim, por favor, mandem links dos seus trabalhos nos comentários! Vamos trocar umas idéias, que tal? ;D

Enfim, por hoje é só. Beijos a todos, muito obrigada por lerem, comentem bastante e até mais! =**

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  1. Ruan de Freitas

    Muito boa a matéria, informação transbordando, continue com o belo trabalho Drih 😀

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