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Oque Está Acontecendo Com As Light Novels?

Ah, Light Novels! Se você não conhece o termo, permita-me explicar: light novel é o nome chique para que os japoneses dão a certos livros com figuras. A diferença, é que light novels possuem ilustrações no estilo mangá, o que funciona como chamariz para jovens e otakus. Eles geralmente são serializados (tais como os mangás) e lançados com uma certa frequência, dependendo da publicadora. Muitos animes conhecidos são adaptações delas, tais como Sword Art Online e o horrendo No Game No Life, por exemplo.

Ultimamente, em minhas andanças pela internet a procura de notícias para o site, comecei a notar certos padrões toda vez que a expressão light novel aparecia. Diversos arquétipos e idéias bases se repetem, pra não falar que a maioria esmagadora consiste na “vida de um colegial normal até que… um dia (insira roteiro à la Rob Schneider aqui).”

Já falei aqui sobre a aparente moda de criar light novels com nomes colossais, e apesar de saber que não devemos julgar um livro pela capa, tenho a impressão de que uma parte enorme da indústria de light novels parece estar fazendo com slice of life e comédia romântica oque a indústria de vídeo jogos faz com o gênero de tiro e zumbi.

De fato, antes de continuar devo alertar que minha humilde opinião está inserida neste post, já que me pareceu inadequado, pra não dizer mecânico e artificial, abordar o que considero uma ofensa a minha inteligência de forma neutra. Devo ser especialmente cândido ao ratificar que as opiniões nesta postagem representam apenas minha opinião, o Narrador. Seria inadequado se suas partes direcionar quaisquer comentários ácidos ao site ou qualquer outro integrante da equipe.

Antes de continuar, peço que leiam este post, retirado deste blog:

Então, JP e eu sempre rolamos nossos olhos quando vemos algum título de light novel, e só pra dar umas risadas eu decidi entrar na Amazon Japan e pesquisar as seguintes espressões: Boku no, Oniichan e Imouto. Vamos ver oque aparece e, só pra sacanear, vamos traduzir os títulos!

boku01

Minha namorada e amiga de infância é muito violenta

boku02

Eu apenas quero te lamber

boku03

Como eu pensei, há um erro em minha jovial comédia romântica.

sister

Minha irmãzinha não pode ser tão vadia estúpida! Tão bonitinha! (Vish)

bokukoi

Eu ainda não me apaixonei

maou

Eu e aquela garota estamos liderando o conselho estudantil como um herói e uma lorde das trevas

yurei

Eu e garota e o segredo da garota (Ou o segredo do fantasma, putz)

sekai

Eu sou tão popular com as garotas que posso salvar o mundo (chorando)

haganai

Eu não tenho muitos amigos

shinigami

É por isso que eu não posso fazer sexo. Meu juramento vitalício com a ceifadora sinistra (isso vai virar um anime…)

zawarudo

Eu e este mundo desafortunado e feliz

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Estamos sendo observados

wargame

Os jogos de guerra de minha namorada e eu

imoto

Há uma irmãzinha entre nós

onitan

Eu amo meu irmão mais velho mas enquanto tivermos nosso amor está tudo bem, certo?

seiyu

Parece que minha namorada é uma dubladora em ascensão

lipvirgin

Os lábios de uma irmã virgem são apenas para seu irmão!

onitan2

Não é como se eu não amasse meu irmão!!!

imouto

Minha irmãzinha começou seu emprego na super força sentai

zombie

Aliás, Minha irmã é um zumbi

semera

Por que quando aquela garota dá em cima de mim minha irmã fica brava?

kanji

Minha irmãzinha pode ler kanji

icha

Não posso brincar de pézinho com a minha irmã?

koakuma

Porque minha irmã tsuntsun koakuma se tornou dere antes de se tornar minha waifu (alguém me de um tiro!)

Obviamente que havia mais, mas o último título foi demais para o meu cérebro (rindo rios!). Desnecessário dizer, isso é tudo a MEEESMA merda. Por que transformam isso em anime? Bom, olhando pelo lado bom mais jogos otome estão sendo transformados em anime pra contrastar essa bosta de “mané fracassado” + “sua irmãzinha” + “clube escolar medíocre.”

Indo direto ao ponto: apesar de eu discordar da parte dos jogos otome (que também já torraram minha paciência), é difícil de discordar dos argumentos do autor do post. E isso também se reflete nas últimas temporadas de anime. Títulos slice of life recheados de clichês, comédias românticas meia-boca, fórmulas repetidas até a exaustão, personagens que se resumem a arquétipos datados e repetitivos, piadas envolvendo sexo, semi-nudez, irmãzinhas, moe, lolis, mulheres fáceis, menininhas meninando e… MERDA! O conceito de originalidade parece ter feito às malas e ido embora a tempos!

Em frente a tudo isso, eu lhes faço uma pergunta. Oque lhes motivou a adentrar o mundo otaku? Quando faço essa pergunta a maioria de meus amigos apreciadores de anime descubro que, quando eram crianças e assistiam Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Inu Yasha, Sakura Card Captors e mesmo o zoado Super Pig, eles pensaram “Nossa, como isso é diferente, eu jamais vi nada assim!” Quando vimos desenho japoneses, fomos surpreendidos pela idéia de que um desenho animado poderia ser romântico, violento, sério, non-sense, profundo e até mesmo nos educar sobre uma nova cultura. As idéias eram inovadoras. Os personagens, memoráveis. Os enredos, bem construídos (pros padrões da época). As cenas de luta, únicas. Isso nos motivou a querer se aprofundar, conhecer mais animes e anos familiarizar com a interessante cultura japonesa.

Então o que diabos está acontecendo? Desde quando se tornou perfeitamente normal vangloriar séries cujas sinopses se assemelham a fôrmas de biscoito? Ou se lembrar do personagem por ele ser otaku/moe/manhosa/loli ao invés de… sei lá, pelo nome? E o pior é que… navegando pela internet, vejo que isso não só é aceito, é elogiado e aclamado.

Peço que voce volte até o início da postagem e veja a imagem que acompanha o título do post. Chama-se Spice & Wolf, e é a primeira light novel que já tive em mãos, pra não dizer o prazer de ler. Tem personagens sólidos e memoráveis que evoluem com a trama, um mundo que te é apresentado de forma gradativa e de forma a atiçar sua curiosidade, além de um enredo dinâmico e um romance exemplar.

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Há outros muito bons também, tais como Shakugan no Shana, Toaru Magaku no Index e Durarara, que apesar de seguirem a mesma fórmula do “estudante normal, etc” ainda conseguem surpreender o leitor e criar personagens interessantes e tramas dinâmicas. Ore no Imouto sendo considerado uma das melhores light novels já publicadas? Não me faça rir!

Bom, mas esta é apenas minha humilde opinião, não é mesmo? Olha, eu não estou aqui para fazer ninguém concordar comigo, mas sim porque gostaria que você, otaku, parasse um pouco para pensar sobre oque isso tudo quer dizer sobre você. Você provavelmente não pensa nisso com muita frequência, mas oque nós consumimos, material de entretenimento incluído, diz muito sobre quem nós somos e como pensamos.

Olhemos a indústria de vídeo jogos, por exemplo. Até uns anos atrás, a palavra gamer significava apenas “uma pessoa que aprecia vídeo jogos.” Mas hoje, após diversas mudanças nas vertentes  de mercado, assim como repercussões na mídia, os gamers são vistos de forma… diferente. No geral a indústria é vista como uma mídia infantil, uma não-arte. E se você aprecia jogos, esse tipo de opinião provavelmente é uma piada pra você. Mas procure imaginar-se na mente de seu típico transeunte. Você caminha pela rua, e de repente se depara com isso numa vitrine de jogos:

936full-x--blades-cover Gears_of_War

 

“Nossa, qual será o público alvo destes jogos?”

Isso é só a ponta do iceberg do que pinta a imagem do seu típico gamer como infantil, facilmente impressionável, violento, grosseiro e preconceituoso. Ou preciso lhes lembrar disto, disso e isso aqui?

Ah, mas isso é com jogos! Não tem nada a ver comigo. PENSE DE NOVO!

O fato da indústria continuar a produzir estes títulos de forma consistente diz muito sobre oque ela pensa sobre seu público e, por consequência, como este público é visto pelos outros. De fato, se você pensar bem, vai encontrar diversos desenhos japoneses que você “tolerou” ao invés de assistir. Talvez uma parte de você tenha tolerado arquétipos repetitivos, piadas sexuais sem graça ou clichês sem pé nem cabeça. Mas será que você realmente devia ter tolerado?

Entretenimento é um negócio, seu objetivo é fazer dinheiro. E se essas fórmulas batidas estão dando dinheiro, é por que otakus consomem como se fossem produtos perfeitamente aceitáveis (assim como gamers parecem tolerar jogos AAA cheio de bugs), e isso diz muita coisa sobre a comunidade otaku. A meu ver, nenhuma delas é boa.

Talvez seja por essa miríade de fatores que não mais me considero um gamer, mas sim um “apreciador de jogos.” E da mesma forma, abandonei o rótulo de otaku, e adotei o de “apreciador de animação e cultura japonesa.”

Compreendo que muito de vocês discordam deste ponto de vista. Mas antes de dar sua opinião, peço que se acalme, desligue o Caps Lock (é o botão do lado da tecla “A”) e reflita um pouco sobre oque você consome e como isso te compele a se identificar como um otaku.

Por último, tenho a dizer que, apesar de não ser o maior fã da assertividade de Miyazaki, eu me sinto obrigado a concordar com sua opinião:

“Quase toda animação japonesa é feita com base mínima na observação de pessoas reais. É produzida por humanos que não aguentam olhar outros humanos. E é por isso que esta indústria está cheia de otakus!”

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Sobre Narrador

Narrador
Sou um apreciador de vídeo jogos, animação e cultura japonesa. Estudante de jogos, dublador amador, vendedor e amante de literatura, traduzo notícias em meu tempo livre para manter o público atualizado no mundo da animação japonesa, e por vezes escrevo artigos próprios.

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  1. Isso não é culpa de alguém, de um nicho ou mercado do próprio, mas acredito que isso trata de um fenomenal natural conhecido como popularidade, quando algo torna-se popular, torna se alvo, assim cria laços com muitos seguidores, que serão influenciados por esse tipo de imagem, tratando o light novel apenas como se fosse escola, romance clichê e um cara fracassado rodeado de mulheres da qual num vai comer nenhuma. Isso é apenas algo normal, afinal vermos o mercado de jogos e filmes que estão fadados a investir nas mesmas sequências e histórias batidas, se a menor originalidade, isso e bom, por que assim os originais se destacam, como também pode atrapalhar, mas novamente abre caminhos para muitas novidades.

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