Review: Abenobashi Mahou Shouten Gai

Olá, pessoal! E aqui estamos de volta para mais uma review, dessa vez tratando de um anime no mínimo… curioso. O tema da vez é o anime Abenobashi Mahou Shouten Gai, cujo mangá  do qual se originou (escrito por Satoru Akahori) foi publicado entre março e agosto de 2002 pela Kodansha, tendo dois volumes, e que teve 13 episódios, exibidos entre abril e junho de 2002 pela KIDS Station. O anime foi produzido pelo estúdio Gainax, responsável também por Furi Kuri e Panty & Stocking with Garterbelt.

Sim, eles também produziram Neon Genesis Evangelion. Por que a ênfase nos outros dois, então? Vocês entenderão ao longo desta review.

A história toda se passa no bairro comercial de Abenobashi, um distrito em Osaka, que é protegido por quatro famílias (presentes desde os tempos da fundação do bairro), representadas por quatro estátuas de animais sagrados colocadas nos pontos cardeais da história. A questão é, absolutamente TODOS os episódios se passam nesse bairro. Ou, pelo menos, em alguma versão paralela dele. Mas, para que isso faça mais sentido, é melhor apresentarmos os personagens dessa história, e porque ela é tão peculiar.

A história e seus personagens

Os dois protagonistas são Sashi Imamiya e Arumi Asahina, duas crianças de doze anos moradoras de Abenobashi. O primeiro é um garoto hiperativo e bagunceiro, que adora jogos (em especial RPGs e datesims), coleções, dinossauros e armas. Sua família era a antiga dona da casa de banho da Tartaruga (um dos pontos cardeais da cidade), mas eles tiveram que se mudar por causa do projeto de reformulação do bairro.

Logo no começo, somos apresentados a uma notícia triste: Arumi se mudará com a família para Hokkaido. E Sashi não quer que a amiga dele se vá. Tentando não pensar nisso, ele resolve continuar brincando com ela e deixar aquela questão para depois, quando um acidente acaba mudando tudo: o avô de Arumi cai de um prédio e vai para um hospital, quebrando também o pelicano que representava o restaurante dele (o Grill Pelican).

Tudo parecia normal, até que, aos poucos, eles vão percebendo que aquela Abenobashi em que eles estão não é exatamente igual àquela onde eles estavam. Não… talvez algo tivesse acontecido depois do acidente, algo relacionado à mágica inerente ao centro comercial. Algo a ver com a quebra do pelicano, talvez? Eles não sabem. Tudo o que eles sabem é que foram jogados numa nova – e completamente insana – realidade.

A partir daí, eles vão saltando de um mundo a outro. Mas não saem de Abenobashi. Eles são enviados a diferentes versões do centro comercial, de uma versão chinesa até uma Abenobashi espacial, de um reino de RPG até uma versão de datesim (?). Todas elas são criadas pela imaginação de Sashi, e sempre que eles tentam voltar para casa, são enviados a um outro mundo – ainda mais insano que o anterior.

Todas as pessoas da Abenobashi real, porém, estão lá. O vovô Masa, por exemplo, avô de Arumi, teimoso e rabugento, frequentemente aparece nos outros mundos como uma figura de autoridade (um rei, o líder de uma gangue de mafiosos, etc). Também temos o pai de Arumi, apresentado como “Papan“, um sujeito afetado com um sotaque francês falso, que adora misturar palavras em francês nas suas frases. Do lado da família de Sashi, a personagem mais marcante é Sayaka, irmã mais velha, querendo afastar a influência de Osaka para parecer mais legal, e com um grande interesse por leitura de sorte. E há os personagens marcantes da própria Abenobashi, como a “srta”. Aki, um crossdresser que mostra ter muito conhecimento sobre as lendas e histórias do bairro comercial, e Kouhei, um vendedor não tão bem-intencionado quanto tenta fazer parecer.

Só que, também, há dois personagens que não fazem parte da Abenobashi real. Uma delas é Mune Mune, uma personagem cuja característica mais marcante são os peitos gigantes (e o fato de que, de alguma forma, ela sempre termina esmagando o rosto de Sashi entre eles – ele, por sua vez, não se queixa disso em nenhum momento). Ela aparece em vários papéis diferentes dependendo do mundo, de vilã a heroína, e está sempre procurando um outro personagem. Trata-se de Yutas, um homem que está destinado a vagar por todos esses mundos pára descobrir a causa do surgimento deles. Ele tem uma espécie de laço com Sashi, e esse laço não é explicado a princípio. Existe um episódio que conta a origem do bairro comercial, e é a partir daí que a verdadeira história por trás de todos esses acontecimentos e personagens começa a ser revelada.

Essas viagens todas tem uma razão, que só fará sentido no último episódio. Mas é claro que eu não vou dar spoilers disso agora.

Por que assistir Abenobashi

Admito que eu assisti sem muitas expectativas. Sabia que era um anime engraçado, mas várias pessoas reclamaram do final dele, e isso não me deixou esperar muito. Mas a verdade é que esse anime me surpreendeu em um ponto que eu definitivamente não podia nem imaginar.

Não dá pra perceber, a princípio, mas quando você vê os últimos episódios, a idéia principal do anime fica clara: no fim das contas, os mundos pelos quais eles passaram são a prova de que Sashi não quer crescer. Todos os mundos tem a ver com os gostos “infantis” dele. E, ao mesmo tempo, ele quer que Arumi se divirta, já que ela vai embora. Só que, sempre que ele tenta fazer algo por ela, as coisas acabam saindo errado. Os sentimentos de Sashi vão sendo mostrados aos poucos ao longo do anime, e aos poucos você vai entendendo as razões dele. Entendendo… e se identificando com elas.

As referências feitas nos episódios também são geniais. No episódio 12, em que eles são enviados a um mundo baseado em filmes, dá pra ver de tudo, de De Volta para o Futuro a Titanic e Robocop. Sem falar nas referências a animes (Evangelion, obviamente, Dragon Ball, entre outros), as paródias a estilos conhecidos como filmes de kung-fu e mafiosos.

E a versão legendada em português pelo OMDA, também, acrescentou a esse anime ainda mais charme. Abenobashi faz diversas referências e citações a elementos da cultura popular japonesa, em especial a de Osaka, citando comediantes, programas de TV etc. O que o OMDA fez? Ao invés de meramente traduzir os termos / acrescentar notas de rodapé explicando de onde eles vieram, eles decidiram adaptar para coisas que conhecemos aqui. Aí temos, por exemplo, menções ao Sílvio Santos e coisas assim. Não sei se isso daria certo com outros animes, a verdade é que para Abenobashi isso funcionou muito bem.

Enfim, considerações finais: se você procura algo com lógica do começo ao fim, NÃO ASSISTA ABENOBASHI. Assim como outras produções da Gainax (os já mencionados Panty & Stocking e Furi Kuri), o anime aposta na insanidade, no ritmo acelerado, aparentemente sem pé nem cabeça, no absurdo, nas caretas, nas piadas rápidas e constantes. E faz piada de si mesmo o tempo todo, os próprios personagens não se levam a sério. E dá certo. E, mesmo assim, as coisas têm um sentido, como o final prova depois. Fica a recomendação: pode não ser uma obra-prima, na verdade está muito longe disso, mas que é uma garantia de diversão por algumas horas, isso é.

“Assim como a Existência do Céu e da Sabedoria… que tudo se faça existir… KYU KYU NYO RITSU REN!”

Notas adicionais

Como já foi dito, o anime foi legendado pelo grupo OMDA (provavelmente um dos primeiros trabalhos deles). Ultimamente está sendo um pouco difícil encontrá-lo para download, já que diversos sites estão com os links quebrados, mas sempre há a opção de assistir online em diversos sites.

 Notas de rodapé

  • Era pra essa review ter sido postada semana passada. Peço mil desculpas pelo atraso. A semana foi beeeeeeeeeeeem tensa. ;A;
  • Faz tempo que eu não posto reviews também, né? ^^’ Mas ah, os meninos estão fazendo um trabalho excelente, então nem dá pra sentir a minha falta, haha. xD
  • Quero um curso portátil de Onmyouji. Prontofalei.
  • Comentem, comentem muito! Beijos a todos e até mais!

 

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