Review: Amagami SS

   E aí, galera?! Aqui é o Cabeça e, após uma overdose de Majin, eu estou de volta! \o/ Depois de 3 semanas de reviews sérios e emocionantes, eu vou trazer hoje um texto mais leve e romântico. Trago hoje Amagami SS.

   Amagami SS contém 25 episódios, 1 especial e foram lançados (até onde eu sei) 2 OVAs dos 6 anunciados. O animê é produzido pelo estúdio Anime International Company, com a direção de Yoshimasa Hiraike. Ainda existem 6 adaptações em mangá. A segunda temporada do animê, Amagami SS+ plus, acabou de ser exibida e tem 13 episódios.

   Com relação ao enredo, o animê conta a história de Junichi Tachibana, um garoto que, após ser rejeitado na véspera de natal, deixou de acreditar no amor. No momento em que o animê começa, Junichi acaba de iniciar o segundo ano do Ensino Médio e este será o ano determinante para o seu futuro amoroso.

   Novamente vou reservar um paragrafo para algumas explicações sobre a estrutura do animê e a razão pela qual o animê foi criado dessa maneira. O diferencial de Amagami SS é maneira como seus episódios são estruturados. São seis arcos principais de 4 episódios cada e um arco especial de 1 episódio, sendo que cada arco mostra o desenvolvimento do relacionamento do protagonista com uma garota diferente. A grande sacada é que estes arcos são praticamente independentes do outro, pouquíssimos elementos de um arco são “aproveitados” nos posteriores, ou seja, a cada inicio de arco a história começa novamente, sofre uma espécie de “reboot”. Pode parecer meio estranho, mas a razão pela qual é estruturado assim é que o animê é baseado em um simulador de encontros lançado para o PS2 em 2009 e em 2011 para PSP. Como a maioria de vocês deve saber esse tipo de jogo tem como objetivo evoluir o seu relacionamento com a heroína selecionada, todo processo de evolução de relacionamento é chamado de rota. Resumindo: cada conjunto de 4 episódios representar terminar um rota do jogo, no próximo arco é como se você recomeçasse o game só que escolhendo outra rota. Eu sei que para muitos essa explicação pode ser sem sentido, mas eu li muitos comentários de pessoas que “crucificam” o animê por não entender essa dinâmica dos episódios.

   Aqui só gostaria de fazer uma ressalva com relação ao gênero do animê. Em alguns lugares Amagami está inserido no gênero harém, mas eu não concordo com essa classificação. Esse gênero tem como principal característica um personagem masculino se relacionando com mais de 3 garotas, não necessariamente tendo envolvimento amoroso com todas. O exemplo clássico é Love Hina, obra na qual Keitaro vive em uma pensão com 5 garotas e se relaciona com todas. Em Amagami SS, o protagonista só se relaciona de forma próxima com uma por arco (isso se não considerarmos a irmã), o envolvimento que ele tem com as outras heroínas é puramente casual e na minha visão não se caracteriza como um harém.

   Analisando essa forma de progressão do animê, eu digo que me agradou, conseguiu cumprir a proposta de trazer para o animê a “experiência” de um jogo de relacionamentos. Logicamente que no animê você não faz nenhum tipo de escolha como ocorre nos games, mas ele passa pra você essa ideia de varias possibilidades dentro de um mesmo universo. Não estou dizendo que essa formula não tem defeitos, (sim ela tem defeitos que serão abordados mais a frente) apenas que é uma estrutura diferente e que conseguiu cumprir com a proposta.

   Vale ressaltar que os arcos não são todos idênticos apenas com uma mudança de heroína, cada arco tem suas particularidades e até mesmo um desenvolvimento diferente. Por exemplo, no terceiro arco, cuja heroína é a Sae Nakata, tem uma “pegada” bem mais ecchi do que os outros arcos, além disso neste arco existe um narrador que não está presente em nenhuma outra rota. Até mesmo o desfecho não é o mesmo em todos os arcos.

   Uma “história fechada” a cada 4 episódios é bem interessante, impede que você tenha enrolação na evolução do enredo, os episódios devem conter apenas o conteúdo necessário para que a história evolua da forma desejada. Essa estrutura impede que existam episódios “chatos”, todos os episódios são importantes para a evolução dos relacionamentos. Eu assistia um arco e deixava para ver o próximo em outro horário ou até mesmo no dia seguinte, você pode até mesmo assistir dois arcos e parar por meses, quando retomar o animê não haverá prejuízo na experiência que a obra proporciona. Outra característica atraente na formula de Amagami é que com a diversidade de personagens e a certeza do envolvimento do protagonista com todas, a chance de um ou mais arcos agradarem aos telespectadores é bem maior do que quando só existe apenas um final. Os problemas referentes a esta estrutura vão ser trabalhados mais a frente.

   Agora vou abordar a criação dos personagens. O Junichi é um bom personagem, não é aquele inútil completo que vemos em muitas obras, mas também não é um Usui. Junichi é um personagem bem “humano”, você consegue ver ele encaixado no dia-a-dia. Na verdade essa é uma característica que é encontrada em todos os personagens, todos eles são personagens bastante “humanos”, são estudantes normais. Com relação às heroínas, o trabalho feito foi excelente. As personagens femininas são muito carismáticas, a cada novo arco você se apaixona pela nova personagem. O legal é que conversando com o pessoal do Departamento Editorial foi possível notar como cada um tem o seu arco e sua personagem favorita (Morishima-senpai *-*), a quantidade de personagens e as diferenças entras as personalidades consegue agradar vários tipo de telespectadores. É logico que se as personagens não fossem cativantes, tanto o animê quanto o jogo teriam fracassado, pois essa identificação do telespectador com a personagem é fundamental para que esse tipo de jogo funcione e se um dos arcos tivesse uma heroína chata seria muito comum que as pessoas desistissem de ver até o fim.

   A parte sonora também contem algumas peculiaridades, mas primeiro vamos ao que é mais comum. As musicas dentro do animê estão em um nível bom, não chamam a muito a atenção ou trazem algo nunca visto antes, mas também não atrapalha de forma alguma. A trilha interna passa despercebida e não falo isso de forma crítica, ela cumpre a proposta de forma discreta. Já as OPs e EDs tem um charme a parte. Começando pelas OPs, elas têm musicas extremamente simpáticas e que passam muito bem o clima da série, a parte interessante é em ambas as aberturas a ordem em que as personagens aparecem é a ordem em que os arcos vão se desenvolver. Tá bom, isso pode ser bobo, mas eu achei interessante. Já as EDs para mim são a grande perola quando se fala da parte sonora de Amagami. Os encerramentos funcionam da seguinte maneira: cada arco tem uma musica e animação própria, sendo que a musica é cantada pela dubladora da heroína principal daquele arco. Além disso, a letra da musica sempre vai refletir algo da personalidade da heroína. Eu recomendo prestar atenção nas letras, pois elas são partes importantes no processo de compreensão das personagens.

  • Amagami SS – Ending 1
  • Amagami SS – Ending 2
  • Amagami SS – Ending 3
  • Amagami SS – Ending 4
  • Amagami SS – Ending 5
  • Amagami SS – Ending 6
  • Amagami SS – Ending 7
  • Amagami SS – Ending 8
Agora que eu toquei na questão das personalidades das heroínas, eu vou abordar um ponto que gera um pouco de polemica quando falamos da profundidade das personagens. Muitas pessoas assistem Amagami e reclamam que as heroínas são extremamente rasas e não apresentam a profundida que os games deste estilo trazem. Eu entendo esse tipo de comentário e realmente é possível ter essa visão, mas existem alguns aspectos que eu gostaria de abordar sobre o assunto. Primeiramente é impossível que um animê consiga reproduzir todas as centenas de diálogos que existem nestes games e que realmente servem pra “criar” as heroínas. Além disso, estamos falando de um animê que apresenta uma personagem e o seu relacionamento com o protagonista em 4 episódios, então temos que concordar que não daria para encaixar tudo nestes 4 episódios. Entretanto, não estou dizendo que as heroínas sejam rasas, elas são sim profundas, mas essa profundidade não esta tão explícita como o de costume. Muitos aspectos da personalidade das personagens não são mostrados de forma direta, eles ficam nas “entrelinhas” do animê, cabe a quem está assistindo “pegar” esses detalhes. O melhor exemplo disso é o ultimo arco cuja heroína é a Tsukasa Ayatsuji, ela me surpreendeu pela complexidade de sua personalidade, ao ponto de ela mesma ter duvidas sobre “quem ela é”. Muito da personalidade dela é mostrada de forma explicita durante os episódios, mas muito está “escondido” atrás da cena principal. Vou exemplificar sem muito spoiler: para muitos a irmã da Tsukasa é só mais uma personagem encaixada na história, mas se você analisar bem ela é muito importante para a compreensão da Tsukasa como um todo.

   Vocês já devem ter notado que eu não falei muito sobre os OVAs , o episódios e “deixei de lado” o episódio 25, então aqui vou falar um pouco deles. Primeiro os OVAs, foi anunciado que Amagami teria 6, mas até agora eu só encontrei 2. Cada episódio é dividido em dois sendo que cada metade é destinada a uma heroína e mostram algo que eu chamo de “cenas excluídas”, eu chamo assim por serem acontecimentos de menor importância que não puderam ser incluídos no pouco tempo dos 4 episódios de cada arco. Esses OVAs são muito interessantes pois suprem aquela “vontade de quero mais” que fica no final de cada rota. Be agora vamos para o ponto critico, os episódio 25 e o episódio especial. Bem já vou deixar de inicio a minha opinião sobre o episódio 25: eu não gosto do episódio 25 e não o considero como parte da linha principal do animê, para mim o animê tem 24 episódios e 2 especiais. Agora vou explicar a razão dessa minha “revolta”. Durante todos animê você tem arcos independentes, nos quais os acontecimentos de um não ocorrem nos outros, a grande questão é que o episódio 25 seria como uma “rota especial”, uma rota não programa e que não está ao “alcance da visão”, você não imagina que ele vai estar lá. A grande questão é este episódio mostra vários acontecimentos dos arcos anteriores, como se eles tivessem ocorridos todos em uma mesma “realidade”, ou seja, o episódio diz que o Junichi se relacionou com todas as garotas uma após a outra, quebrando assim toda a estrutura até então apresentada. Existe sim uma explicação plausível para essa “rota especial” e o episódio até mesmo dá uma nova explicação sobre um fato que, até então, parecia estar resolvido, mas eu achei desnecessário, nada nele me fez pensar: “nossa, faltava isso no animê”. Não estou dizendo que o episódio é ruim ou que não poderia ser encaixado no universo de Amagami, só acho que ele não mostrou nada que justificasse a quebra da estrutura até então apresentada. O episódio especial também faz essa mesma quebra da estrutura, mas ele não foi tão agressivo para mim quanto o 25 por duas razões. Primeiro que o episódio já tratado como um “especial” então ele não faz parte da linha principal do animê e segundo que ele sim mostra um ponto de vista interessante e até inusitado, ele tem uma justificativa maior para fazer essa quebra que eu falei.

   Como eu disse anteriormente agora vou tratar dos problemas de Amagami, principalmente os relacionados à estrutura do animê. Essa estrutura de 4 episódios por arco independente acarreta uma série de limitações quanto ao que vai ser mostrando no animê. Um dos problemas já citado por mim é com relação à profundidade dos personagens, como o animê tem pouco tempo para apresentar a personagem e desenvolver o relacionamento entre as personagens, muitos detalhes referentes a personalidade dos personagens fica “escondido” no animê, eles não são inexistentes, mas não estão “na cara” do telespectador. Outro problema é que para alguns o romance pode parecer um pouco forçado e não natural por se desenvolver em 4 episódios, a razão disso é que estamos acostumados a esperar 10 ou até mesmo 20 episódios para que o relacionamento entre dois personagens se desenvolva de forma completa, então 4 episódios pode dar a impressão de ser “rápido de mais”. Agora saindo um pouco da “escassez” e indo para o “excesso” temos a “banalização do desfecho”. Devido ao grande numero de relacionamentos e a velocidade com que eles se desenrolam, pode haver uma diminuição no impacto causado pelo desfecho, pois como os desfechos são “parecidos”, o intervalo entre eles é pequeno e o personagem masculino é o mesmo, dois desfechos de Amagami podem ter um impacto menor do que se você assistisse dois animês diferentes de romance um atrás do outro, No meu caso, por exemplo, o primeiro desfecho foi mais impactante que o segundo. Logicamente que a sua identificação com a personagem também pesa muito, no meu caso eu gosto muito mais da Morishima(-senpai) do que da Kaoru.

Após este texto gigante, vale a pena ver Amagami SS?

Amagami é um animê que trabalha com uma estrutura que, até então, eu nunca tinha visto e que, apesar das falhas me agradou. Os romances são gostosos de assistir, as personagens são extremamente carismáticas e, em sua maioria, tem uma profundidade interessante. Devo ressaltar também o tratamento da obra com relação a sexualidade, tudo foi trabalhado de uma forma romântica para que não se tornasse vulgar. Em algumas cenas é possível chegar à conclusão de houve sexo entre os personagens, mas isso é abordado de uma forma tão cuidadosa que é impossível dizer que aquilo é um tipo de fanservice. Eu já expressei a minha opinião dizendo que gostei bastante de Amagami, mas concordo que está longe de ser um animê que vai agradar a todos. Por isso vou recomendar que, caso tenha se interessado pelo animê, você assista pelo menos os 4 primeiros episódios para saber como é essa estrutura que eu tanto falei aqui.

Comentários

– Primeiramente gostaria de pedir desculpas pelo review gigante e por ter usado muitas expressões entre aspas.

– Caso estejam se perguntando, sim, a quantidade maior de fotos da Morishima-senpai foi proposital XD

– Espero, novamente, que este texto não tenha ficado muito confuso

– Querem criticar, elogia, dar sugestões? Querem saber mais verdades secretas sobre o Anime Freak Show? Então Comentem  Me desculpe Seij… digo THE BOSS!

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  1. Sem duvida a melhor review que tenho lido até agora, muito informativo e o tamanho do texto não tira de forma alguma sua qualidade, já marquei o site nos favoritos e daqui pra frente vou começar a acompanhar.

    Muito obrigado.

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