Review: Baccano

– Vice-diretor… Então onde exatamente essa história começa e onde termina?

– Que pergunta tola, Carole (…). Deixe a ilusão de que essa história tem um começo e um fim. A história não tem um início e nem um fim.  Tudo o que existe é um espetáculo de pessoas ligadas, vivendo, influenciando umas às outras e partindo.

– Então, por que a história não pode ter um fim?

– O que acha, Carole?

– Porque, se existe a chance de uma continuação, acabará entrando mais gente.

– Existem inúmeras respostas para essa pergunta, então lhe darei uma que você entenderá: Porque é divertido.

– Por que é divertido?!

– Sim.

– Mas… não  existiriam pessoas desapontadas por não haver um fim na história?

– Essa é outra faceta da diversão, Carole.

Se existe uma frase que pode definir bem a obra da qual vamos falar hoje, é essa. Falaremos não de uma, mas de uma série de histórias que se cruzam, se entrecortam, alteram os rumos umas das outras, se fundem e se separam, num ritmo veloz e imprevisível. Uma história que atravessou três séculos, dois países, um oceano, um navio, um trem e uma cidade que está no meio de uma quase-guerra entre famílias rivais. Trata-se de Baccano, série de light novels escrita por Ryohgo Narita e ilustrada por Katsumi Enami, e adaptada para um anime de treze episódios mais três OVAs entre julho de 2006 e novembro de 2007.
Tentei assisti-lo pela primeira vez há alguns anos atrás, mas por alguma razão (falta de tempo, provavelmente), acabei parando. Aí, recentemente voltei a assistir. O que eu posso dizer? É uma série que conquista o espectador MUITO rápido. Geralmente, uso a regra dos cinco episódios para avaliar a qualidade de um anime, mas no caso de Baccano já deu para ver tudo o que a série poderia oferecer logo no começo. E não é uma propaganda enganosa: o anime é fiel à proposta original até o fim, e cumpre-a maravilhosamente. A proposta inicial (“peraí… máfia mais alquimia mais assassinos psicopatas… WTF?”). Mas como apenas descrever a história não é o suficiente, então vamos falar um pouco mais sobre esse universo insano, charmoso, violento e regado a muito jazz e bebida produzida ilegalmente onde ela se passa.

A HISTÓRIA E SEUS PERSONAGENS

O anime se passa em três momentos distintos (quatro, se incluirmos os OVAs), e tem em torno de 20 personagens centrais. A maior parte dela está focada na Nova York do início da década de 30. É a era das famílias mafiosas nos Estados Unidos, e o país nessa época vive sob a Lei Seca (uma determinação que durou de 1920 a 1933, e que proibiu a produção, transporte e comercialização de qualquer tipo de bebida alcoólica no país). Exatamente por causa dessa lei, grupos de crime organizado faziam fortuna produzindo e distribuindo bebida ilegalmente. Mas esse não é o ponto do  início real da história. Na verdade, ela começa muito antes, e muito longe dali…
Em 1711, um grupo de alquimistas a bordo do navio Advenna Avis consegue produzir o elixir da imortalidade, com a ajuda de um demônio invocado por um deles, Maiza Avaro. Esse demônio ensina-os também a forma de terminar com a vida uns dos outros (“devorando-os” – é, isso mesmo). A maior parte dos alquimistas decide que é melhor que o segredo da fórmula fique apenas entre eles, ao que um deles, Szilard Quates, se opõe. Na noite seguinte, eles começam a desaparecer, e, para proteger o segredo da fórmula, resolvem se espalhar pelo mundo.

O próximo momento é novembro de 1930, na cidade de Nova York. Szilard consegue recriar o elixir, mas ele é roubado por Dallas Genoard. E, a partir daí, ele começa a passear pela cidade. É nesse cenário que somos apresentados a outros personagens da série, como os irmãos Gandor (Keith, Luck e Berga, herdeiros de uma pequena família mafiosa cujas fontes de lucro incluem a produção ilegal de bebida e a manutenção de cassinos), Firo Prochainezo (um dos membros mais jovens de outra família, os Martillo, muito habilidoso com lutas corporais), Ennis (braço-direito e principal capanga de Szilard, na verdade um homúnculo criado por ele). É aí também que conhecemos dois dos personagens mais marcantes e mais divertidos da série, Isaac Dian e Miria Harvent. Eles são um casal de ladrões, com métodos e disfarces bizarros e motivações mais bizarras ainda. Na verdade, eles são tão caricatos que é muito difícil acreditar que eles sejam realmente ladrões, e não atores ou algo assim. Mesmo assim, são gentis e se tornam amigos de boa parte do elenco ao longo da série – o que terá uma influência considerável sobre os rumos que a história toma daí em diante.

A parte mais intensa da trama, porém, se concentra no ano de 1931, em que vemos coisas como a briga entre os Gandor e os Runorata (outra família mafiosa). E aí somos apresentados a figuras como Claire Stanfield (apesar do nome, ele é um homem, cujo apelido é Vino – ele é um assassino profissional com idéias de “salvador do mundo”), irmão adotivo de Luck chamado a Nova York por ele. Então, ele embarca no trem transcontinental Flying Pussifoot. E uma noite nesse trem é o suficiente para deixar toda a história do avesso.
Nessa viagem, além de Claire e de Isaac e Miria, embarcam também outras pessoas, com motivações completamente diferentes. Um deles é Jacuzzi Splot (líder de uma gangue de rua chorão e um pouco medroso, mas que consegue ter uma notável capacidade de liderança quando necessário), juntamente com Nice Holystone (especialista em explosivos, tem o corpo cheio de cicatrizes por causa de um experimento que deu errado). Tamém conhecemos um grupo que se intitula “Lemures”(ou “fantasmas”), um culto que segue um homem chamado Huey Laforet (que possui o segredo para a imortalidade) e pretende sequestrar o trem para conseguir a sua libertação. Entre eles está Chane Laforet, filha de Huey, exímia lutadora com facas e que quer libertar o pai tanto ou mais que os outros, apesar de não concordar muito com seus métodos.

Os Lemures usam roupas pretas. Em oposição a eles, então, surge o terceiro grupo, liderado por Ladd Russo (um dos assassinos da família Russo, totalmente obcecado por violência e sedento de sangue – inclusive as “juras de amor” que ele faz à noiva, Lua Klein, são as de prometer matá-la lentamente depois de matar todos os outros. Detalhe: ele REALMENTE a ama), que aparece vestido de branco. No meio de tudo isso, ainda há uma criança, Czeslaw Meyer, que também não é tão inocente quanto parece. E, como se a simples presença de todas essas forças não fosse tensa o suficiente, ainda somos apresentados a uma lenda sobre um monstro, conhecido como Perseguidor de Trilhos, conhecido por devorar passageiros de trens no meio da noite…

Parte da história também é narrada em 1933, sob o ponto de vista de Carole (uma aspirante a jornalista ou detetive, talvez?), que conta a história. E é através dela que descobrimos que não há um começo nem um fim para essa história, enquanto novos personagens continuarem entrando no palco…

POR QUE ASSISTIR BACCANO?

O primeiro conselho que eu dou é: se você gosta de histórias lineares com poucos personagens e sem grandes mudanças de pontos de vista, definitivamente Baccano não é o anime mais indicado. Como já foi dito, a história salta no tempo e muda de personagem muito rápido. Pessoalmente, eu acho isso uma das grandes vitórias do anime: o ritmo dele e a forma como as reviravoltas acontecem faz você querer ver o próximo episódio e ver onde aquilo tudo vai dar. É uma história incrivelmente envolvente, e o fato de haver muitos personagens muito diferentes entre si também ajuda. Afinal de contas, eles são carismáticos e charmosos cada um à sua maneira, e conquistam quem está vendo muito facilmente. De acordo com o próprio autor, eles “se movem livremente pela sua trama”, e de certa forma é possível sentir isso.

Aliás, charme é a palavra de ordem. A própria época em que o anime se passa faz com que o enredo tenha algo muito envolvente e – é, talvez essa seja a melhor palavra – sedutor. A época áurea dos gangsters é muito forte no imaginário ocidental urbano, e Baccano conseguiu retratá-la de uma forma incrível. E aí entram as roupas, os cenários, a música. A trilha sonora instrumental do anime  é toda em ritmo de jazz, e foi muito bem-feita (além de ter sido muito bem-aproveitada ao longo dos episódios). A abertura, Gun’s & Roses (tocada pela banda Paradise Lunch), também tem essa característica. O encerramento, Calling (cantado por Oda Kaori e composto por ninguém menos que Yuki Kajiura), apesar de fugir do padrão jazz dos demais temas, é também belíssimo.

http://www.youtube.com/watch?v=zoin4qWplSw

E uma coisa que eu achei genial é que, apesar de ser uma história sem final fechado, não é o tipo de anime que te faz ficar com raiva do último episódio. Pelo contrário, a forma como as coisas terminam é tão justificada e faz tanto sentido que a falta de um final definido e claro só faz com que tudo pareça ainda mais interessante. Além disso, o fato de a mesma história ser mostrada de tantos pontos de vista também a torna muito mais intensa. Prova disso é uma cena, em um dos últimos episódios, em que passamos por TODOS os personagens do Flying Pussyfoot, como se o próprio espectador estivesse correndo pelo trem. Junte a isso as cenas de comédia, a ação, as lutas (sim, temos algumas brigas espetaculares!), o sangue, os tiros… e você terá um anime genial.
Enfim, para finalizar: Baccano é uma obra que vale a pena cada segundo. Divertida, intensa, charmosa, intrigante, surpreendente. Definitivamente entrará para a minha lista de favoritos, e eu com certeza vou recomendá-lo sempre. Espero que tenham gostado, beijos a todos e até mais. ;D

NOTAS DE RODAPÉ

– Primeiramente, mil perdões… >_< A review não ficou boa e eu não tive tempo de revisá-la da forma correta. A semana foi corrida, então tive pouco tempo para me dedicar a isso como eu queria. Então, sintam-se à vontade para discordar de mim em qualquer ponto.

– Não foi intencional o fato de a review de Baccano ter saído logo depois da Árvore de Ohara sobre Durarara. Juro. xD

– Obrigado por terem lido, comentem muito, e até a próxima! ;D

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  1. Ola drih,essa review vai fazer com que eu tire baccano do fundo do meu HD, pois eu tenho os episodios porem nunca assisti ele mas depois dessa review eu sou obrigado a assistir .

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