Review: Bakemonogatari

E ai galera, aqui é o Cabeça e hoje trago o review de um anime que divide opiniões, uns amam outros odeiam. Vamos agora com o review do estranho Bakemonogatari.

   Bakemonogatari é uma light novel de autoria de Nishio Ishin e ilustrada por Vofan. A série começou a ser publicada em Novembro de 2006 pela editora Kodansha. Em 2009 foi feita uma adaptação em forma de anime. Essa adaptação foi dirigida por Akiyuki Shinbo e produzida pelo estúdio Shaft. O anime tem 15 episódios, sendo que 12 deles foram exibidos na televisão e os outros 3 foram vistos na Internet. Uma segunda temporada de nome Nisemonogatari , também baseada em uma light novel, está sendo exibida atualmente no Japão.

    Bakemonogatari conta a história de Koyomi Araragi que, após salvar uma garota que caia do alto das escadas da escola, começa a ter contato com uma série de criaturas e entidades (ou monstros como sugere o titulo) presentes no folclore japonês. Entre estas entidades estão um caranguejo, um caracol, um macaco, entre outros. Aqueles que já assistiram Bakemonogatari vão perceber que essa “sinopse” é muito simples e resumida se comparada com o tipo de enredo e com a maneira como o anime se desenrola. Mas eu não quero estragar a experiência de quem ainda não assistiu, então eu pretendo revelar apenas o estritamente necessário para a evolução do meu texto.

   Nestes próximos parágrafos eu vou falar um pouco da estrutura do anime do anime. Bakemonogatari é um anime que divide opiniões, ou você adora ou você detesta, eu já vi comentários de pessoas que simplesmente colocaram a obra entras as piores existentes enquanto outras pessoas o chamam de revolucionário. E essa divergência de opiniões não deriva do enredo, dos personagens ou até mesmo do traço do anime, o responsável por esse contraste nas opiniões é a estrutura sobre a qual o anime foi “construído”. Eu vou ser sincero, eu nunca assisti um anime que fosse no mínimo parecido com Bakemonogatari.

    O primeiro aspecto estrutural abordado aqui é que anime é dividido em arcos que tem como função a apresentação de um novo personagem e de uma nova “entidade”. No total são 5 arcos que podem ter de 2 a 5 episódios. Lembrando que os arcos não são independentes, então devem ser assistidos na sequencia.

   Neste parágrafo vou falar um pouco do primeiro episódio do anime. Os primeiros 1 minuto e 30 segundos à primeira vista parecem ser incrivelmente sem sentido. Começamos com uma cena na qual o vento bate na saia de uma garota e deixa sua calcinha a mostra, depois vamos para um cenário de escola, por ultimo para uma série de fragmentos de lutas e tudo isso é intercalado por cortes de cena com texto que são impossíveis de ler em velocidade normal. Resumindo, você pensa: WHAT? Realmente essa “introdução” parece ser a coisa mais estranha e sem sentido que você já viu, eu também pensei isso quando assisti pela primeira vez. A pior parte é que depois de assistir o anime e rever esta cena prestando atenção ela faz todo o sentido do mundo e essa transição do aparentemente maluco para uma cena com relevância é, oque eu considero, um dos “charmes” de Bakemonogatari. Eu recomendo que vocês assistam esse primeiro pedaço com a velocidade reduzida, eu assisti com a velocidade 0.25X, que seria equivalente a um quarto da velocidade normal. Mesmo que agora não faça sentido, isso vai ajudar um pouco no entendimento da série.

    Após terminar o primeiro episódio vocês devem percebido os seguintes aspectos: história um pouco confusa, diálogos fora do convencional, cortes de cenas constantes, ritmo bem menos frenético do que no começo e muitas cenas “estáticas”. E pode-se dizer que esse é um resumo do que vai ser o restante do anime. Ouso até a dizer que alguns aspectos como os cortes e as cenas estáticas ficam mais frequentes com o decorrer do anime.

    Quem ainda não viu o anime deve simplesmente estar achando tudo muito estranho e realmente é um anime “estranho”, mas é um anime “estranho” que me agradou. Agora que eu já falei um pouco estrutura do anime, eu vou continuar com review como eu sempre faço.

   A parte sonora do anime é eficiente, cumprindo o papel de criar o clima para as os diferentes tipos de cena. Apesar de simples, a trilha de fundo é muito bem feita e bem gostosa de ouvir. Realmente um belo trabalho. Com relação às aberturas e o encerramento não tenho do que reclamar. As musicas tem uma temática mais “romântica”, porem a ultima abertura (sugar sweet nightmare) tem uma “pegada” mais triste. Tanto as OPs quanto a ED refletem muito sobre os personagens nelas representados. Gostaria de destacar o encerramento que a primeira vista não tem nada de mais, porem ela passa a ter a sua importância após o episódio 12, ela realmente torna-se muito simbólica para quem assistiu até lá.

http://www.youtube.com/watch?v=Up-UD4ow2Yg

  Eu sei que pode parecer exagero, mas eu queria deixar este parágrafo apenas para falar sobre o episódio 12. Para mim esse foi um episódio muito marcante, primeiramente pela comédia. Dentro do padrão de comédia existente em Bakemonogatari esse episódio realmente se destaca, as cenas de “constrangimento” do Araragi são muito boas. O segundo quesito que me fez gostar tanto desse episódio é a importância que esse episódio tem na evolução dos personagens. Em especial na cena final, ela simplesmente entrou para o rol das cenas mais lindas que eu já vi. Ela pode até ser uma cena simples, não é uma cena de luta épica ou até mesmo um dialogo daqueles geniais que deixam pasmo, mas é uma cena que, da maneira como foi feita e no contexto em que ela foi inserida, simplesmente me arrancou lágrimas. Pode ser essa cena não tenha sido tão importante para alguns de vocês, mas para mim ela foi muito marcante.

    Outro ponto que eu gostaria de dar destaque é com relação aos diálogos. Como já disse anteriormente, os diálogos de Bakemonogatari são totalmente fora do convencional. Eu considero que os diálogos são o ponto em que a obra se mostra genial, pois tudo desde a maneira de falar até as palavras escolhidas levam em consideração a “essência” do personagem que está falando. Cada fala se encaixa ao seu personagem de maneira incrível. Os diálogos do anime são diferentes do padrão de diálogos de outras obras, são diálogos únicos e cheios de personalidade. O único “porem” envolvendo as conversas é que muitas vezes as conversas não ajudam diretamente para a evolução da história e isso pode complicar um pouco o entendimento da obra.

   Outra características bem marcantes em Bakemonogatari é a presença de inúmeros easter eggs dentro do anime. Para quem não sabe oque são, os easter eggs seriam pequenos detalhes presentes em uma obra que se vistos sem atenção não aparentam ser nada, mas na realidade eles fazem referencia a elementos da própria ou até mesmo outras obras. Um exemplo de um destes easter eggs está relacionado com a personagem Hachikuji: no anime ela é uma estudante do primário que carrega uma enorme mochila e tem relação com uma entidade de um caracol, até tudo bem, mas poucos percebem que a mochila gigante faz referencia à concha do caracol. Outro exemplo seriam os grampeadores da Senjougahara que fazem referencia às garras de um caranguejo. Existe uma quantidade considerável de easter eggs que podem ser encontrados durante a obra. Logicamente eu não vou contar mais nenhum, pois a graça está em encontra-los.

    Bakemonogatari é um anime complexo por si só, mas aqui eu vou falar de uma característica que faz com ele fique ainda mais complicado para os não-japoneses. Esta dificuldade consiste no fato de que muitas das explicações dadas para as conexões entre os personagens e as entidades estão relacionadas com a “linguagem” japonesa. Vou tentar explicar: em alguns casos aquele determinado personagem se relacionou com a entidade porque o kanji utilizado para escrever o nome do personagem pode ser lido de uma determinada forma que o torna suscetível à intervenção daquela determinada entidade. O problema é que para aqueles que não têm conhecimento bom em japonês, estas conexões simplesmente não fazem sentido, dificultando um pouco mais o entendimento da obra.

   Como eu já disse anteriormente, esse é um anime que divide opiniões e se divide opiniões é claro que ele tem falhas. Vou confessar que, para mim, nenhum dos problemas que vou apontar realmente me chateou ou me atrapalhou para ver o anime, mas existem pessoas que acham estes “erros” inadmissíveis. Acho que a principal reclamação é sobre a história ser muito confusa e mal explicada, realmente a história é confusa, mas muito da “confusão” se dá pelo fato de que nós não conhecemos muito sobre o folclore japonês e nem sobre a “linguagem” japonesa em si. Mas devo concordar que pouco é contado sobre o passado de alguns personagens. Outra reclamação é sobre os cortes cena e as cenas estáticas. Realmente estes cortes e cenas estáticas funcionam como uma forma de simplificar no momento da criação do anime e pode até deixar a obra com um ar de “desleixo”, mas além de ser um dos “charmes” da obra, temos que lembrar que Bakemonogatari sofreu muito com problemas relacionados à desentendimentos internos da equipe que produzia o anime. Não estou dizendo que os desentendimentos servem como desculpa para este “desleixo”, mas isso deve ser levado em consideração. Eu achei tão ruim, pois com assim foi possível dar um enfoque muito maior nos diálogos, que para mim foram muito mais importantes do que ter uma belíssima animação . Outro “problema” muito citado é a abstração dos diálogos e a prolixidade dos personagens. Novamente eu concordo que os diálogos muitas vezes não vão levar a uma evolução da história e também concordo que isso pode irritar e frustrar muita gente, mas isso é uma caraterística do autor e eu, particularmente, gostei.

Mas afinal, depois dessa confusão, vale a pena assistir Bakemonogatari?

   Como eu já disse inúmeras vezes acima, eu gostei bastante de Bakemonogatari, mas eu sei que muitas pessoas simplesmente detestam a obra e isso me impossibilita de dizer “assista” ou não “assista”. A minha função escrevendo este review era a de mostrar os elementos que constituem o anime para que vocês decidam se devem assistir ou não. Porem ficaria muito chato eu simplesmente escrever esse texto imenso e no final ficar “em cima do muro”, então vou recomendar o seguinte: se vocês ficou na duvida, assista os dois primeiros episódios. Após os dois primeiros episódios dá pra ter uma boa ideia de como vai ser a série e se ela te agrada ou não. Só uma dica final: se você está assistindo o anime e você não está entendendo absolutamente nada, pode ser que o problema seja o fansub que traduziu. Pode parecer estranho, mas Bakemonogatari é um anime complicado de traduzir e eu conheço pessoas que só foram entender e gostar da obra após assistir os episódios traduzidos por um fansub diferente do primeiro eles tinham baixado. Então fica a dica.

Comentários

– Primeiramente quero me desculpar pelos atrasos no reviews, mas eu tive alguns problemas e só pude postar agora.

-Gostaria de agradecer ao amigo Borgescaio, pois se não fosse por ele talvez eu nunca tivesse assistido esse anime que tanto me agradou.

– Para aqueles que ficaram na duvida: sim, eu chorei assistindo Bakemonogatari e não me envergonho disso.

– Peço desculpas também se este texto ficou muito confuso, mas ele teve de ser confuso para que eu analisasse o anime da maneira como eu queria.

– Querem criticar, elogiar, dar sugestões? Querem que o AFS monte uma excursão para Tupã e assim conhecer o centro de comando e o Zord…opa o SKY? Então comentem.

-Postagem feita por: Lucas Cabeça

 

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  1. Eu particularmente não sei o que pensar de Bakemonogatari. Terminei de assistir hoje e, por incrível que pareça, não gostei nem desgostei do anime, apenas o achei “esquisito”, mas se fosse para sair de cima de muro diria que gostei.
    Todavia é como você mesmo escreveu, eu fui uma pessoa que se irritou bastante com as “falhas” do anime, e isso ficou martelando na minha mente, como o corte em cenas emocionantes, como o Araragi lutando contra a forma demoníaca da Kanbaru ou o beijo do Araragi e da Senjougahara. O que quero dizer é que algumas cenas poderia ter sido mais “limpas”.
    Eu sou um cara que particularmente curte cenas de ação kk, então eu vibrava quando acontecia algo que eu pensava que se desenrolaria como uma cena de batalha, mas me decepcionei pra caramba nesse quesito. Bakemonogatari não é um anime pra quem espera encontrar lutas legais. Sei que seria clichê, mas eu esperei sinceramente até o último episódio para ver se o Araragi se tornaria um vampiro fodão momentaneamente e mostraria que é mais do que um personagem que depende dos outros para ser salvo, mas eu estava errado. T_T
    Isso é outra falha que eu achei irritante no anime, o passado dos personagens não é desenvolvido, pelo menos não do protagonista. O que aconteceu quando ele se tornou vampiro? Como ele “voltou” ao normal?
    Não sei… talvez haja respostas em Nisemonogatari, mas não comecei a assistir ainda. Só esperava um pouco mais do personagem principal. Estou um tanto quanto cansado de assistir animes em que o protagonista é um bundão dependente dos outros, mas, tirando este detalhe, é um anime particularmente curioso e diferente, que me arrancou algumas gargalhadas sinceras e que vale a pena ser assistido.
    Apesar de todas as minhas críticas, eu recomendo kk.

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