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Review: Genshiken

Você já se perguntou porque é um otaku? Já refletiu por que tomamos certas atitudes quando estamos cercados de amigos otakus que normalmente você não tomaria quando está por exemplo no serviço ? E porque as pessoas que estão fora desse círculo não nos compreende? E terminando, até que ponto devemos levar uma vida otaku e em que momento devemos nos desligar disso? Sim, a vida lá fora não é fácil, é uma selva e o mercado profissional muitas vezes não permite que nos manifestemos como otakus. A própria sociedade não compreende o que é a cultura otaku. Para esse refúgio existem os clubes de otakus, as rodas de amigos, os grupos mais fechados, as pessoas que entendem e compreendem essa cultura de origem asiática. A obra da review de hoje aborda vários desses questionamentos e permite uma boa reflexão para um otaku.

Genshiken não é um anime convencional, especialmente por causa de sua temática: um anime de otakus para otakus. Peraí? Como é que é? Repete? Um anime sobre otakus? Sim!! Esse tema, embora não seja muito comum, já foi abordado de diferentes formas em algumas obras como NHK ni Youkoso e Nogizaka Haruka no Himitsu. Genshiken embora não seja sombrio como NHK ni Youkoso ou mais alegre como Nogisaka Haruka no Himitsu, aborda de forma sóbria e em boa parte cativante como é a vida de um otaku em contraste à vida de uma pessoa “normal”.

Na história, somos apresentados à Sociedade para Estudo da Cultura Moderna Visual (Gendai Shikaku Bunka Kenkyuukai) ou simplesmente Genshiken. Ele foi um clube criado na Universidade de Shiiou para abrigar otakus, e diferente de um clube de mangás ou clube de animes, os seus membros apreciam todos esses temas de forma conjunta e harmoniosa, junto de outros elementos que caracterizam um otaku, como cosplay, coleção de gashapons, games entre outras coisas. Somado a tudo isso, existe o papo, a conversa, o debate de algumas questões filosóficas e mesmo existenciais para o porquê de certas coisas acontecerem em tais animes, ou mesmo qual deve ser a conduta de vida de um otaku.

Os integrantes desse clube são: Sasahara Kanji, um membro novo no clube e um otaku tímido e escondido nas sombras; Madarame Harunobu uma pessoa que podemos chamar de otaku de nível altíssimo, devido ao seu conhecimento enciclopédico da cultura otaku, e gasta pouco dinheiro em comida e outras coisas, para gastar tudo em doujinshi e outros itens otakus; Kugayama Mitsuniri, desenhista e no início da série o único que tentava criar doujinshi; Tanaka Souichiro, viciado em miniaturas e principalmente costurar cosplays; Ohno Kanako, cosplayer e no início, única garota do clube; Kousaka Makoto, gamer e fã de eroges e Kasukabe Saki, namorada de Makoto e a única personagem não otaku do clube. Como se percebe, cada integrante representa um pilar do que cerca um estilo de vida otaku. Posteriormente, mais pessoas vão se juntando ao clube.

Por meio da Saki percebemos como não é simples uma pessoa não –otaku se encaixar nesse universo de fãs de animes, mangás etc. No início da série, como ela só se faz presente no clube devido à sua paixão pelo seu namorado, ela tenta convencer ele a abandonar a sua vida otaku. Na cabeça dela, ela não admitia namorar um otaku, já que via isso como algo mais infantil, apesar de gostar muito dele. Questionada do porque ela não conseguia convencer ele, apesar de inúmeras tentativas, ela tem a resposta: “Não é algo simples de dizer, não é como se um dia ele acordasse e dissesse que é um otaku, isso já faz parte dele, é um vício e não pode parar”. Basicamente o que resta à personagem é tentar compreender a cultura otaku, e assim ela participa mais ativamente do clube, e aos pouco consegue entender melhor essa cultura, tendo uma visão melhor do que é um otaku, mesmo ela não sendo um. Interessante que em muitas ocasiões, os questionamentos e desconhecimentos da Saki em vários assuntos se transformam em respostas que permitem ao otaku refletir e muitas vezes se identificar com a resposta dada.

Além disso, em algumas momentos na série, vemos como a ficção e a realidade se confundem para quem é um otaku, como: o sofrimento para ser criar um doujinhsi, expô-lo em uma convenção (no caso a Comifes, alusao à Comiket) e consegue vender o material; saber selecionar e comprar vários mangás entre outras coisas, e controlar os gastos para que não estoure o orçamento; preparar um cosplay, lutar contra prazos, deixar a timidez de lado para se expor, e a sensação durante e após se apresentar com um cosplay; montar uma miniatura, o trabalho árduo e cheio de detalhes, e a irritação e o nervosismo quando uma pecinha quebra ou toda a miniatura desmonta; estar de madrugada para comprar o seu game tanto esperado, aguardando somente a loja abrir, passando frio e fome e a felicidade quando se consegue comprá-lo e posteriomente jogá-lo; discutir imediatamente com os amigos o anime inédito que acabou de assistir e debater os pontos positivos, negativos e fazer especulações dos próximos acontecimentos; discutir mercado de trabalho e expectativa profissional, e decidir se vai seguir carreira em uma área que você aprecia, como criação de games, costura e design, ser um artista mangaká, etc. Ou a última questão, ser um simples trabalhador assalariado, e pensando se deve ou não continuar com suas atividades de otaku, já que o mercado de trabalho praticamente não lhe dá tempo para continuar com essa vida otaku.

Concluindo, Genshiken não é uma série para todos os gostos, até porque tem uma narrativa lenta, e com pouquíssima ação. É uma série mais descritiva e reflexiva, até porque é um slice of life, e mesmo as piadas presentes não são de total entendimento até porque muitas vezes se faz o uso de alguma referência de anime/mangá. Entretanto, para quem é otaku, acaba em certo ponto da história se identificando com algum personagem ou situação envolvida. É isso que cativa a série, e mostra pelo menos um traço mais realista da vida de um otaku, suas felicidades e suas incertezas, e acaba de uma certa forma respondendo alguns questionamentos existentes sobre a cultura otaku. Como eu disse, é uma série sobre otakus para otakus.

Observações

  • 1 – a série apresenta muitas referências a outras obras mas não dando o nome correto delas, evitando com isso pagar direitos autorais. Ex: “Gungal” (Gundam), “Haragen” (Fullmetal Alchemist), “Scram Dunk” (Slam Dunk) e “Neko Yasha” (Inu Yasha)
  • 2 – a 2ª Abertura de Genshiken faz uma excelente homenagem às aberturas de Gundam. De fato, uma boa reverência ao sentimento otaku.
  • 3 – durante toda a história, os membros do clube de Genshiken assistem e comentam sobre um anime chamado Kujibiki Unbalance. Esse anime foi criado para a série e posteriormente ganhou série própria. É um dos poucos casos de anime dentro de uma obra que posteriormente ganha vida própria.
  • 4 – eu ainda quero uma terceira temporada de Genshiken Ò_Ó. O anime precisa terminar onde acabou o mangá. >_<
  • 5 – comentem e se eu escrevi alguma bobagem, comentem também!
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  1. Vlw Seiji, muito bacana ver um post sobre meu seinen favorito aqui no afs.

    Realmente é um animê bem leve de assistir, com ritmo lento e doses bem distribuídas de drama e comédia além de te fazer pensar em muitas coisas, enfim, recomendado ao extremo.
    Depois de ver Bem-vindo à NHK sendo publicado aqui, ainda tenho esperança de ter Genshiken em portugues na minha coleção. =)

    ps: agora só falta um podcast sobre Genshiken. xD

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