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Review: Mirai Nikki

O que você faria se, de repente, recebesse a possibilidade de ver o futuro? E que, de quebra, com esse novo poder você pudesse se tornar Deus? Até onde você iria para conquistar essas coisas? Por cima de quem você passaria? E, se conseguisse chegar a isso, o que você faria com seus poderes?

É  esse o tipo de questão que você irá encontrar através dos 12 volumes e dos 2 spin-offs de Mirai Nikki (literalmente, “Diário do Futuro”), obra de Sakae Esuno lançada pela Shounen Ace entre 26 de janeiro de 2006 e 27 de dezembro de 2010.Os personagens dessa história não tem nada em comum, exceto o fato de terem sido atirados no meio de um jogo sangrento do qual apenas um poderá sair vitorioso – e vivo. Uma história sem heróis ou vilões óbvios, uma história em que ser um espectador ou um participante ativo pode ser a diferença crucial entre sobreviver ou não.

Então, vamos falar um pouco dessa história tão surpreendente e intensa, que tal?

A história e seus personagens

O protagonista é Amano Yukiteru, um garoto solitário e calado. Sua distração é registrar, em um diário no seu celular, absolutamente tudo o que ocorre ao seu redor. Ele se considera apenas um observador, sem nenhuma ação real no mundo. Seu único amigo é Deus Ex Machina, que ele assume ser imaginário, e com o qual conversa sempre. Esse Deus é auxiliado e servido por Murumuru, uma espécie de demônio. Descuidada e cabeça-fresca, acaba interferindo no jogo em diversos momentos, e é mostrada em omakes com os candidatos eliminados.

Obviamente, ele não é tão imaginário assim. E, um certo dia, ele oferece a Yuki um poder extraordinário, transformando seu diário num registro de tudo o que irá acontecer ao redor dele… no futuro. E ele começa a usar esse poder a seu próprio favor, fugindo de valentões e conseguindo respostas de testes.

Claro, nada é de graça. E, logo, ele descobre que não é o único a ter esse poder.Trata-se de um jogo, e existem outros onze donos de diário, como ele. O objetivo é simples: use seu diário, mate os outros donos, torne-se Deus. Simples e cruel. Mas claro, o que realmente pode ameaçá-lo quando você pode ver o futuro? Nada, não é?Enquanto não aparecer o “Dead End” (o momento da morte do dono do diário), não há o que o temer. A menos, é claro, que seus inimigos também tenham esse poder. E eles podem estar mais próximos do que parecem…

Na sala dele, estuda Gasai Yuno, a “estrela” da escola. Popular, inteligente, ótima nos esportes e muito bonita… e uma dona de diário também. E completamente apaixonada por ele. Tão apaixonada que seu diário registra cada pequeno fato da vida dele, o que acaba salvando-o. Logo somos apresentados a um terceiro dono, um serial killer que está no encalço de Yuki. Nesse momento, fugindo desse serial killer, ele descobre a grande falha do seu próprio diário: ele registra tudo o que aconteceu ao seu redor, mas não registra nada em relação a si mesmo. E, mesmo que a atitude doentia de Yuno o assuste, ele é obrigado a unir forças com ela se quiser sobreviver. Aos poucos, porém, ele vai percebendo que o passado dela é muito mais obscuro do que parecia, e começa a se questionar se ela é sua melhor aliada ou a pior inimiga que ele poderia querer.

A partir daí, outros personagens e donos de diário são apresentados. Entre eles, por exemplo, está Uryuu Minene, terrorista. Seu diário é o da fuga, e permite a ela encontrar rotas de escape em qualquer lugar. Insana, cínica e completamente descrente de tudo e todos, tem um ódio especial por qualquer coisa relacionada à religião. É nela que o spin-off Mirai Nikki: Mosaic é centrado. Também somos apresentados a Keigo Kurusu, um investigador (dono do diário de investigação (duh), que aponta todos os rumos que seus trabalhos na polícia tomarão), e que a princípio se dispõe a destruir esse jogo insano, contando com a ajuda de Yuki para isso.

Além dos donos, outros personagens também são relevantes.  Talvez o principal deles seja Aru Akise, um garoto cujo sonho é se tornar o maior detetive do mundo. Com um grande raciocínio lógico e capacidade dedutiva, ele descobre sobre todo o jogo e torna-se amigo e aliado de Yuki, também, indo muitas vezes contra Yuno, a quem ele considera uma ameaça. Ele é o protagonista de Mirai Nikki: Paradox, o segundo spin-off do mangá, que conta como um erro de Murumuru apagou Yuno do mundo. A história passa a ocorrer de forma totalmente diferente, já que Yuki se fere gravemente e Akise passa a ser um substituto dele.

Claro, há muitos outros personagens, não falei nada dos demais donos de diário, mas como estou tentando manter os spoilers no nível mais baixo possível, espero que vocês compreendam.

Por que ler Mirai Nikki?

Admito que, quando eu soube da premissa inicial do mangá, eu esperava algo semelhante a Death Note. Suspense, investigações, todo um mundo sombrio e sobrenatural cercando os personagens e moldando suas ações… de fato, é possível encontrar tudo isso nessa história. Mas eu não esperava nada que fosse muito além dessa idéia (exceto, talvez, pelo fato de terem trocado a apaixonada cega de Death Note pela apaixonada cega E yandere de MN). Sabia, sim, que tinha tudo para ser uma obra muito boa e divertida de acompanhar.

Mas a verdade é que essa história foi muito além dessa expectativa inicial. As reviravoltas são tantas e tão rápidas que é possível até se perder entre elas. Não existem mocinhos ou vilões completos. Todas as ações são justificáveis, sob um determinado ponto de vista. Todos são heróis e todos são crápulas, dependendo das situações nas quais essas pessoas são atiradas. O maior exemplo disso é o próprio Yuki: você pode achá-lo um fraco covarde em alguns momentos, ou um exemplo de valentia em outros.

O fator carisma também é muito forte: os personagens tem um charme estranho e ao mesmo tempo muito envolvente ao redor deles. O exemplo que eu cito aqui é o de Minene, minha personagem favorita no mangá: cínica, grossa, violenta, manipuladora e, à sua maneira, completamente encantadora (em especial no spin-off dedicado a ela). Uma coisa fantástica em Mirai Nikki é que os personagens são bem desenvolvidos, você entende o motivo pelo qual eles tomam as atitudes que tomam. E, por isso, é difícil escolher um lado, é difícil dizer qual dos doze donos tem a motivação mais justa e qual merece vencer esse jogo, porque nada é o que parece.

As cenas de ação são de tirar o fôlego. Tiros, explosões, perseguições, lutas, emboscadas, prédios caindo… as cenas são intensas demais, rápidas demais. Algumas sequências de capítulos são tão furiosas que é até preciso parar e respirar um pouco. E, mesmo assim, esse não é o foco principal da história. Tanto os elementos de suspense e mistério quanto os de ação casam muito bem entre si, e nenhum deles fica em excesso. Eu não me lembro de nenhuma cena que pareceu “sobrar” no mangá, e mesmo algumas que a princípio podem parecer supérfluas começam a fazer sentido à medida que a história avança. Aliás, o mangá todo é visualmente muito bonito, os traços são muito harmônicos, os ambientes são muito bem-desenhados, as cenas de ação e movimento são muito bem-descritas, e isso faz com que a história flua ainda mais facilmente.

Mas talvez a grande vitória desse mangá tenha sido justamente o questionamento principal que a história lança: até que ponto saber o futuro pode ser uma dádiva ou uma terrível maldição. Mas não é uma questão imposta ao leitor: ela vem naturalmente ao longo da história. Você não verá os personagens se perguntando se o que estão fazendo é correto ou não, mas o próprio enredo induz o leitor a fazer essas perguntas a si mesmo. É uma ideia ao mesmo tempo muito sutil e muito forte. E, com isso, voltamos à pergunta feita no início desta review: o que você, leitor, faria, se fosse um dos Doze? Que rumos tomaria? Quais seriam suas escolhas? Até que ponto você iria para vencer? Acho que a sua resposta não será a mesma quando você chegar ao fim da história. Não se trata de filosofia barata. O autor soube brincar muito bem com a própria história, analisando muitas possíveis reações que as pessoas poderiam tomar frente àquela situação. Além do mais, mostra como a arma principal num mundo como o nosso é a informação: ter a informação adequada é literalmente a diferença entre um movimento bem-sucedido ou um Dead End. E a mesma informação é usada como instrumento de manipulação. Não basta saber das coisas, é necessário que as pessoas certas recebam as informações certas e se movam de forma adequada no grande tabuleiro sobre o qual a história se desenrola. Não dá para deixar de pensar nisso como uma metáfora.

Considerações finais: Mirai Nikki é possivelmente um dos melhores mangás que já li. É uma daquelas histórias das quais você se sente orgulhoso por chegar ao fim. Algumas pequenas pontas soltas são deixadas, mas nada que comprometa a qualidade do enredo. A cada volume, você encontra mais e mais surpresas, e elas o instigam a continuar lendo. É quase como se você fosse um espectador desse jogo, e começasse a torcer por algum dos Doze. E o final é o mais imprevisível possível. Até o último volume, revelações enormes são feitas sobre vários personagens, e prever onde tudo isso vai terminar é muito difícil. Fica a recomendação, especialmente porque a série receberá um anime, que irá estrear em outubro e que é provavelmente um dos “must see” da temporada. Foi lançado um OVA de nove minutos – praticamente um drops da história, algo para dar um gostinho e despertar a curiosidade. E funcionou, porque a forma como a história é apresentada no OVA é tão confusa e desconcertante que praticamente obriga você a procurar saber mais.

Notas adicionais

O mangá foi escaneado e traduzido pelo grupo Falcon Scans e pode ser encontrado em diversos sites, como o Sakura Animes. O mesmo vale para o OVA, legendado, entre outros subs, pela própria Falcon Scans e pelo Wired Fansub. Você pode ver aqui o OVA legendado pela Wired, pelo youtube, mas também é possível encontrá-lo para download no próprio SA.

Notas de rodapé

– Agradecimentos ao Yuri, que foi o primeiro a me falar de Mirai Nikki há muuuuuuito tempo atrás. Sim, Yuri, yanderes são assustadoras… mas isso as torna ainda mais legais, hahaha. >8D

– Já faz muito tempo que eu não posto reviews, e nem preciso dizer o quanto estou away do site. Eu juro que estou tentando voltar, e que sempre que possível trarei matérias e reviews, mas não está sendo tão fácil quanto eu gostaria por mil coisas acontecendo. De qualquer forma, vou fazer todo o possível para trazer textos. Pobre Seiji, não posso deixar ele carregar as reviews nas costas assim! D:

– Mirai Nikki só não vai ser o melhor anime da temporada porque vai ser lançado perto de Persona 4: The Animation. É. Falei mesmo. Fangirls são fangirls sempre.

– Comentem, babies, comentem muito! Beijos a todos e até mais! =***

Okay, essa imagem é random pra caramba mas eu não resisti… tive que colocá-la aqui também. xD

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Sobre Anime Freak Show

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  1. O clima battle royale é muito bom, essa coisa de Deus Ex Machina me atrai muito, por sentir um pouco de Grant Morrison nessa levada bem fechada. Por favor fãs de quadrinhos não me entendam mal.

    Acho que é valido ter uma atenção especial a estas séries assim provando que o público não é idiota e que quer coisas que façam pensar, incentivando a popularização dessas séries. Além disso fazer com que o esteriótipo de leitura infantil caia de uma vez.

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