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O tradicional encontra o pop nos palcos do RAC 2019

Nos últimos anos, os eventos de anime têm incluído cada vez mais outras atrações que não sejam exclusivamente voltadas para animes, mas que são do gosto do público otaku. às já tradicionais palestras com dubladores, se juntaram as palestras com youtubers dos mais diversos temas. Aos animekês e anime quiz, se juntaram os videogames, os card games, os jogos de tabuleiro, sejam japoneses ou não. Nos cosplays, hoje se vê uma grande variedade de personagens e culturas. Nos estandes, então, tem desde copos de animes clássicos, a quadros de HQ e produtos de beleza orientais. Nesse ano, o Rio Anime Club ainda trouxe mais um elemento: a cultura tradicional japonesa.

Na sua edição especial de 10 anos, o RAC trouxe duas atrações especialíssimas. A primeira, que abriu o evento com muita animação, foi o Rio Nikkei Taiko. Quem já viu qualquer apresentação de taiko profissional sabe que é impossível não se contagiar pelo ressoar dos tambores. Se você é apaixonado ou apaixonada por música, como eu, cada batida ecoa e vai fundo na sua alma. Além da apresentação, o grupo presenteou o público com a oportunidade de algumas pessoas subirem ao palco para terem uma pequena aula de taiko e, como vocês podem ver no vídeo abaixo, eu fui uma das felizardas a (tentar) tocar taiko.

Grupo Rio Nikkei Taiko com as apresentadoras do RAC 2019

A segunda atração especialíssima, que ocorreu logo após os tambores, foi a demonstração de kendo pela Associação Mugen de Kendô. Com explicações muito interessantes sobre essa arte de espada japonesa, contando um pouco de sua história e seus princípios, o grupo manteve a plateia, que só crescia, entretida por um bom tempo. Outro ponto bastante interessante foi que toda a apresentação não ocorreu no palco, mas sim no chão, trazendo não só mais segurança e espaço para os espadachins, como também maior proximidade com o público. Por fim, assim como na atração anterior, alguns espectadores puderam experimentar pessoalmente um pouco da prática do kendô.

Obviamente, o RAC 2019 também teve muitas outras atrações já tradicionais de eventos de anime. No palco, além das duas atrações já citadas, houve várias outras, porém vou comentar apenas as que realmente assisti e me chamaram a atenção. Uma delas foi o desfile de cosplays, que foi ótimo. Havia cosplays lindos, muito detalhados e com boas apresentações, e outros menos trabalhados e com apresentações ruins, porém, no geral, o nível de apresentação e roupas foi bastante alto. Mesmo entre os cosplayers que não participaram do concurso, havia muitos incríveis, masculinos e femininos. Abaixo, vocês conferem fotos tanto de cosplayers que competiram, quanto de pessoas que se fantasiaram apenas pela diversão, com link para as redes sociais de cada um.

Apesar de toda a beleza da arte do cosplay, é sabido que eventos de anime podem ser bastante hostis com cosplayers, principalmente com minorias representativas. Não faltam histórias de mulheres que tenham sido assediadas ou ofendidas de alguma forma nesses eventos, estando com cosplays sensuais ou não, sendo magras ou não, e também histórias de pessoas negras sendo menosprezadas por estarem fazendo cosplay de um personagem branco. Nas regras do Rio Anime Club, está escrito que “é expressamente proibida qualquer manifestação de cunho racista ou de ofensa pessoal” (regra 24). Espero que realmente as medidas certas tenham sido tomadas para qualquer caso que possa ter acontecido.

Obviamente, também não poderia faltar um anime quiz, aqui chamado de Otaking. Apresentado pela Maahgia e pelo Fernando Caruso, o quiz teve perguntas muito variadas, abordando desde animes e tokusatsus clássicos, até obras mais modernas. As perguntas também variavam em nível de dificuldade, com algumas voltadas para conhecimentos mais gerais, e outras que só otakus que realmente se aprofundam e pesquisam sobre a mídia saberiam responder. Além dessa seleção bastante variada e desafiadora, o quiz trouxe outra grande atração: as dicas do Fernando Caruso. Quem acompanha o conteúdo dele sabe que ele adora fazer trocadilhos, e como apresentador não poderia ser diferente: sempre que podia, ele inseria uma dica na forma de um trocadilho engraçadinho. A maioria dos participantes não entendia as dicas, infelizmente, mas a plateia sempre ria com elas.

Apesar de ter sido ótimo, tenho algumas ressalvas com esse anime quiz. Primeiro, todos os competidores eram homens, o que não sei se foi uma simples coincidência, ou se era um pré-requisito do Otaking. Procurando pelas regras do quiz no site do evento, não encontrei qualquer regra restringindo gênero, mas todos os participantes serem homens, combinado com o nome do quiz e mais as piadas dizendo que “ano que vem, tem que ter um Otaqueen” me deixaram com essa dúvida. Espero que seja realmente só uma infeliz coincidência. Além disso, a formulação das respostas poderia ter sido mais cuidadosa em algumas perguntas, como, por exemplo, a pergunta sobre quem é o criador de One-Punch Man, que dizia ser apenas o Yusuke Murata, sendo que o criador original é o ONE (Murata se juntou ao projeto bem depois).

Público do RAC

Por fim, uma última atração sensacional que eu não poderia deixar de comentar é a conversa com a dubladora Ursula Bezerra e o dublador Robson Kumode. Apesar de acontecer em todos os eventos de anime e muitos otakus não gostarem da dublagem brasileira, os encontros com dubladores parecem nunca ficar velhos. Na plateia, havia várias pessoas, adultas ou crianças, ouvindo e prestando atenção a tudo que os dois dubladores falavam. Numa conversa bastante informal e sincera, ambos compartilharam suas próprias vivências no meio da dublagem, como histórias do começo de suas carreiras e outras curiosidades muito interessantes que com certeza mantiveram entretidos até os otakus que não se importam com a dublagem brasileira. Fazer a brincadeira “Eu nunca” com ambos, é claro, só tornou tudo mais interessante e divertido, pois trouxe o tipo de curiosidade que todos querem saber, mas não perguntam, e também outras curiosidades totalmente inesperadas. Por exemplo, ao comentarem sobre como certos papeis impactam o público, Ursula comentou como é uma grande honra marcar tão profundamente a vida das pessoas, e Robson complementou citando um estudo que dizia que a audição é o primeiro sentido a se desenvolver num feto e que ela está diretamente ligada ao campo afetivo, sendo esse um dos motivos da dublagem ter um impacto emotivo tão forte nas pessoas. Certamente, eu e o resto do público não estávamos preparados para comentários tão humanos, sinceros e complexos.

Apesar desse post se encerrar por aqui, os meus comentários continuam na segunda parte dessa matéria, que sairá daqui a alguns dias. Afinal, é impossível tudo que vale ser ressaltado sobre um evento do tamanho do Rio Anime Club escrevendo um texto curto. Além disso, no nosso instagram serão publicadas muitas fotos e vídeos que não aparecerão aqui no site. Portanto, se você quer continuar a viver ou reviver o RAC por mais alguns dias, acompanhem o nosso instagram e sigam-nos no facebook para saberem quando sai a próxima parte e verem conteúdos exclusivos.

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